Juncker propõe ajuda à Grécia vinda do orçamento da EU
 
O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, propôs que a Grécia beneficie de uma dotação financeira suplementar do orçamento europeu para sair da crise, em detrimento de mais empréstimos, e alertou também para a contaminação da crise do euro à Bélgica e Itália.
 

“Eu não percebo - sem dúvida sou demasiado ingénuo - esta perversidade europeia que exige que, quando se trata de atribuir à Grécia volumes financeiros importantes em matéria de coesão e de política regional, continuemos a insistir na obrigação de co-financiamento daqueles programas”, declarou Juncker numa entrevista ao jornal La Libré Belgique, citado por agências internacionais.

“Seria bom que mudássemos as nossas regras e não obrigássemos a isso. Isso seria um balão de oxigénio para a Grécia, poderia ganhar apoio naquelas políticas para desenvolver as infra-estruturas e aumentar o potencial de crescimento”, adiantou Juncker, que também é primeiro-ministro do Luxemburgo. “A Europa aparece como o bicho papão” na solução da crise da dívida grega, “eu gostaria que desenvolvêssemos também, sendo Europa, uma articulação económico-política que volte a dar esperança aos gregos”, considerou.

Juncker, que defendeu a suspensão da regra do “co-financiamento” no caso da Grécia, afirmou que está inquieto com a crescente hostilidade das populações dos países que enfrentam curas de autoridade em relação à Europa. “Se os jovens de hoje se tornarem nos euro-cépticos de amanhã, eles juntar-se-ão à geração precedente”, advertiu ainda Juncker.

O presidente do Eurogrupo alertou ainda para o risco da contaminação da crise do euro à Bélgica e Itália, numa entrevista ao diário alemão Süddeutsche Zeitung. “A falência pode contaminar Portugal e a Irlanda e, em virtude do seu endividamento, atingir a Bélgica e a Itália, mesmo à frente da Espanha”, afirmou.

Para Jean-Claude Juncker, ao fazer participar os credores privados no salvamento da Grécia, pode acontecer que, no pior dos casos, as agências de notação coloquem Atenas na categoria de “insolvência”, o que teria consequências catastróficas para a moeda única. “Estamos a brincar com o fogo”, disse. Se a Grécia for colocada naquela categoria, sublinhou, isso pode ter consequências dramáticas para os outros países da zona euro, como Portugal e Irlanda, e depois a Bélgica e a Itália.

Estas declarações de Jean-Claude Juncker antecedem o encontro do Ecofin, dos ministros das Finanças da zona euro, que terá lugar no Luxemburgo, este domingo, e onde serão discutidas as situações gregas (possível acordo para libertar em Julho a quinta parcela do programa de assistência à Grécia no valor de 8,7 mil milhões de euros) e portuguesa (ponto da situação do programa de assistência financeira a Portugal).

Por outro lado, as declarações de Juncker sucedem as dos líderes da Alemanha e da França, Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, que depois de uma reunião em Berlim, esta semana, anunciaram um consentimento sobre a participação dos investidores privados nos custos de um novo resgate à Grécia, o que será feito de forma voluntária.

 
 
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