Grécia não vai cumprir o défice, 'troika' suspende negociações
 
Interrupção das reuniões lança dúvidas sobre a continuidade do plano de resgate. Ministro das Finanças diz que a culpa é da recessão maior que o previsto. Juros da dívida disparam, bolsa de Atenas em queda.
 

A Grécia não vai conseguir cumprir a meta do défice público para 2011, reconheceram na quinta-feira representantes da 'troika' e do governo grego. Mas as discordâncias entre as partes sobre qual será o valor do desvio e quais as razões de o objectivo não ser atingido levaram à interrupção das negociações sobre o novo empréstimo.

Os representantes da 'troika' saíram de Atenas esta sexta, deixando um rasto de incerteza sobre se o país reúne condições para receber uma nova parcela do plano de resgate em vigor.

Um funcionário próximo dos representantes da 'troika' disse, citado pela agência Reuters, que o défice orçamental de 2011 será de pelo menos 8,6% do PIB, face a uma meta de 7,6%

O ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, justificou o aumento do défice com o agravamento da recessão, mas não deu qualquer estimativa para o seu valor. Garantiu que as conversações serão retomadas em 14 de Setembro, depois de uma análise detalhada dos dados. Inicialmente, o FMI tinha afirmado que queria que tudo estivesse resolvido no dia 5.

Venizelos disse que a economia grega deverá contrair-se cerca de 5%, bem mais que os 3,5% previstos no início do ano, e insistiu, no entanto, na importância de manter o défice para 2011 no valor absoluto antes previsto: 16,68 mil milhões de euros. Mas uma fonte próxima à 'troika' ouvida pela agência Reuters disse acreditar que só um quarto do desvio orçamental verificado é devido à recessão.

Sabe-se que os representantes da 'troika' consideram que o país não está a executar as reformas com o vigor suficiente. Mas Venizelos disse que o seu governo não prevê adoptar novas medidas de austeridade.

Esta nova situação de impasse poderá pôr em risco a transferência para o país da próxima parcela do plano de resgate de 110 mil milhões de euros e, pior ainda, o segundo empréstimo.

Diante do impasse, os juros das obrigações gregas nos mercados secundários voltaram a disparar em todos os prazos, ao mesmo tempo que as cotações na Bolsa de Atenas entraram em queda acentuada.

Juros da dívida da Grécia chegam aos 46%

Valor é novo recorde desde a era do euro. Bolsa de Atenas cai há sete sessões e já perdeu 14%. Juros da dívida portuguesa, embora ainda longe dos máximos já atingidos, também sobem.
 
Protestos contra a austeridade. Foto de apαs

Os juros da dívida da Grécia atingiram esta quinta-feira no mercado secundário os 46%, no prazo de dois anos, constituindo um novo recorde desde a era do euro. As taxas para obrigações a cinco e a dez anos também avançaram para os 22,25% e 18,41%, respectivamente.

O diferencial das obrigações emitidas pelo governo de Atenas a dez anos face às alemãs, outro indicador de risco, registou igualmente um novo valor histórico, até aos 1617, 143 pontos base.

Por outro lado, a sequência de quedas na bolsa da Grécia não parece ter fim à vista. Atenas já perdeu 14% do valor com uma série de sete sessões negativas.

Confirma-se assim que a situação financeira e económica da Grécia só tem piorado desde o plano de resgate do FMI e da UE, há pouco mais de um ano.

A actual desculpa para a nova subida dos juros da dívida é o temor de que a exigência de garantias por parte da Finlândia possa atrasar o segundo pacote de empréstimos à Grécia, o que deixaria os investidores “muito nervosos”.

Juros em Portugal também sobem

Os juros da dívida soberana portugueses continuam a subir há seis sessões nos principais prazos, apesar de ainda estarem abaixo dos máximos histórico. Nesta quinta-feira, no mercado secundário, as taxas oscilaram entre 13,565% a três anos e 11,209% a dez anos, após subidas moderadas na casa dos 3,5 pontos base em ambos os casos.

Fonte: Esquerda net

 
 
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