Pânico nas bolsas indica temor de nova recessão mundial
 
Mercados de ações tiveram novo minicrash esta quinta-feira, diante das perspectivas sombrias da economia mundial. Cameron adverte que problemas da zona euro põem em causa estabilidade mundial e FMI fala em “fase perigosa”.
 
O mau resultado da Bolsa de Lisboa já não acontecia desde Abril de 2010. Foto de artemuestra

A bolsa de Lisboa caiu esta quinta-feira mais de 5%, um mau resultado que já não acontecia desde Abril de 2010. A Galp Energia e a banca foram as mais penalizadas, num dia em que o PSI-20 acompanhou as quedas na Europa e nos Estados Unidos.

Na Europa, Bruxelas e Paris lideraram as desvalorizações, com quedas superiores a 5%. Em Paris, a quebra do índice Cac 40 foi de 5,25%, pouco menor do que a desvalorização do índice belga Bel 20, que fechou a cair 5,34%. Frankfurt, Londres, Madrid e Milão tiveram também quedas muito fortes: o índice alemão Dax contraiu 4,96%, o britânico Footsie-100 cedeu 4,67%, o Ibex-35 caiu 4,62% e o FTSE Mib 4,44%.

Nos Estados Unidos, o índice industrial Dow Jones terminou a jornada a perder 3,51%, e registando a queda mais acentuada de duas sessões (mais de 6%) desde Novembro de 2008.

Cameron: Europa ameaça economia mundial

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, advertiu em Otawa, Canadá, que “os problemas da zona euro são tão grandes que começaram já a ameaçar a estabilidade da economia mundial.” Cameron pediu uma acção rápida dos líderes da zona euro, que têm de “encontrar uma solução fundamental e duradoura para resolver o coração do problema – o alto nível de endividamento de muitos países do euro.”

“A recuperação da recessão das economias adiantadas será difícil. O crescimento na Europa decaiu, assim como nos Estados Unidos. O efeito do terramoto no Japão, os altos preços dos combustíveis estão a criar dificuldades para o crescimento. Mas, no fundamental, ainda estamos a enfrentar as consequências da crise financeira e do colapso económico de 2008”, disse ainda o primeiro-ministro britânico.

FMI põe a tónica na recapitalização dos bancos

Por seu lado, a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, reafirmou que "a actual situação económica está a entrar numa fase perigosa", insistindo na necessidade de maior financiamento da banca europeia. "Para assegurar o crescimento, é vital que os bancos estejam em posição de financiar a economia", disse.

Segundo o Financial Times, as autoridades europeias estão a tentar acelerar os planos de recapitalização de 16 bancos europeus que por pouco não falharam os chamados testes de stress. O objectivo seria tranquilizar os mercados em relação à resistência do sector bancário da União Europeia. Entre as 16 instituições visadas, há dois bancos portugueses: o BES e o BCP.

 
 
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