Moody's: Dívida dos bancos portugueses é “lixo”
 
Todas as nove instituições financeiras acompanhadas pela agência tiveram o 'rating' da dívida rebaixado, sendo oito delas para “lixo”. Notação individual de seis bancos também caiu, sendo os maiores rebaixamentos os do BES, BCP e BPI.
 
Moody's adverte que o ‘rating' dos bancos portugueses poderá ser reduzido outra vez em breve. Foto de Mário Cruz, Lusa

A agência de notação financeira Moody's reduziu o 'rating' da dívida de oito bancos portugueses para a categoria “lixo”. Só o Santander Totta, que também teve o 'rating' rebaixado, não foi relegado a este nível. O ‘outlook' permanece negativo para todos os nove bancos portugueses que a agência acompanha, o que significa que o ‘rating' poderá ser reduzido outra vez em breve.

A Moody's cortou também a notação individual de seis dos nove bancos, sendo que três – BCP, BES e Banco BPI – viram a sua classificação de crédito cair dois níveis enquanto Caixa Geral de Depósitos, Santander Totta e Montepio Geral desceram um nível.

A agência justifica o rebaixamento com o corte no ‘rating' da República Portuguesa, a exposição dos bancos à dívida pública de Portugal, a expectativa de deterioração dos activos domésticos devido ao ambiente macroeconómico adverso, e os constrangimentos em termos de acesso a liquidez.

BES, BCP e BPI têm rebaixamento maior

A agência justifica a revisão mais acentuada do 'rating' do BES pela maior dependência do banco face ao financiamento interbancário. “O BES foi, tradicionalmente, o banco português mais activo nos mercados de capitais e a orientação das suas operações apresenta uma elevada dependência de financiamento sensível às condições do mercado”. O rating individual do BES desceu dois níveis, enquanto o de dívida e depósitos baixou um nível.

Já a redução adicional para o BCP também é explicada pela “elevada dependência dos mercados interbancários”, e também “a qualidade dos activos domésticos mais fraca do que a média”, a exposição directa à Grécia “via a subsidiária grega”, e uma “fraca rendibilidade, que dá pouca flexibilidade financeira para gerir estes desafios”.

No caso do BPI, os principais motivos do corte prendem-se com a sua exposição directa à Grécia. Por outro lado, “apesar da sua posição de liquidez relativamente forte, desempenho da qualidade dos activos e gestão durante a crise, será desafiador para o BPI imunizar-se face às pressões do sector bancário português”.

Bancos britânicos também foram rebaixados

A Moody’s anunciou também nesta sexta a redução do 'rating' da dívida sénior e dos depósitos de 12 instituições financeiras do Reino Unido, concluindo que o governo será menos capaz de ajudá-las, caso estas encontrem dificuldades financeiras.

Fonte: Esquerda.net

 
 
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