Franceses em luta nas ruas
 
Os trabalhadores e reformados franceses estão de novo nas ruas numa jornada de greve e mobilização contra o “plano de rigor” e austeridade imposto por Sarkozy e Merkel a pretexto do combate à dívida. Segundo os sindicatos, participaram quase 300 mil pessoas nas 200 manifestações em toda a França.
 
Concentração em Lisieux, uma pequena cidade da Baixa Normandia que aderiu ao protesto que se realizou em cerca de 200 cidades francesas.
Concentração em Lisieux, uma pequena cidade da Baixa Normandia que aderiu ao protesto que se realizou em cerca de 200 cidades francesas. Foto MACDAN Design/Flickr

Tomar medidas urgentes “para uma outra repartição da riqueza” é a plataforma de entendimento que juntou cinco centrais sindicais – CGT, CFDT, FSU, UNSA e Solidaires – numa comissão intersindical que promove cerca de 200 manifestações em todo o país, também nas principais cidades como Paris, Bordéus e Lyon.

A jornada de luta acontece numa fase de acentuada degradação social em consequência do agravamento sucessivo das “medidas de rigor” de Sarkozy. As estatísticas oficiais voltam a registar um novo aumento de desemprego no terceiro trimestre do ano e pelo terceiro trimestre consecutivo, um facto que inverteu completamente a tendência para uma ligeira diminuição que chegou a registar-se em 2010. O número de franceses “oficialmente” desempregados é bastante superior a quatro milhões, número que não inclui as vastas centenas de milhar de pessoas nessa situação e que não são registadas nas estatísticas oficiais.

Na jornada de greves e manifestações os trabalhadores franceses exigem designadamente a manutenção do poder de compra, o fim da duplicação das taxas dos serviços complementares de saúde, a isenção fiscal das horas extraordinárias.

Durante a manhã o movimento laboral fez-se sentir no quotidiano francês, registando-se sobretudo uma acentuada redução do tráfego ferroviário. Ao fim da tarde, o site da CGT anunciava a participação de 270 mil pessoas em 150 das cerca de 200 manifestações convocadas no país. "Uma mobilização ainda mais importante na medida em que foi fruto duma actividade militante com pouco eco nos média", diz a nota da central sindical.

A CGT diz ainda que "seja na França ou na Europa, as políticas de baixos salários, de supressão e precarização do emprego, a redução da protecção social, dos serviços públicos e dos direitos dos trabalhadores, são as verdadeiras razões desta crise".


Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.

 
 
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