AIE afirma que a procura de petróleo da OCDE atingiu o "pico" (sic)
 
por Phil Hart [*] - No World Energy Outlook 2009 , a Agência Internacional de Energia parece tem lançado uma bomba que tem sido silenciosamente (e polidamente) ignorada.
 
No seu principal "cenário de referência", a AIE prevê que a procura da OCDE já atingiu o pico – ela nunca recuperará os níveis vistos antes das altas do preço do petróleo e da crise financeira desencadeada.

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. Nas últimas edições do seu World Energy Outlook, a AIE tem estado a reduzir a sua previsão da oferta total de petróleo em 2030. Mas prever um declínio no consumo da OCDE é uma mudança radical.

Aqui em The Oil Drum consideramos que pico será bem antes de 2030, com a produção nessa altura significativamente mais baixa do que aquela que se verifica agora. Contudo, mesmo a previsão da AIE de 105 milhões de barris/dia permite apenas um crescimento anémico da oferta total em 1% ao ano. Uma vez que eles ainda vêem um forte crescimento da procura da China e de outros países em desenvolvimento, a OCDE assume o golpe:

A procura de petróleo está projectada para crescer a 1% ao ano em média, dos 85 milhões de barris/dia em 2008 para 105 milhões de barris/dia em 2030.   Todo o crescimento provém de países não OCDE; a procura da OCDE cai.

Infelizmente a AIE não apresenta esta situação petrolífera num número, mas o gráfico abaixo para o total da procura de energia primária dá-nos uma boa impressão. A China, a Índia e o resto do mundo não OCDE mantêm-se com o seu consumo a crescer (previsão da AIE, não minha) ao passo que o da OCDE está quase a morrer.

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Para o petróleo, a situação é pior. A fatia da OCDE do petróleo disponível é tão constrangida que declina. Os pormenores só para a procura primária de petróleo estão na Tabela 1.3. O pico para a procura da OCDE estava no período 2000-2008 e declina em 0,3% ao ano até 2030.

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Deixem-me repetir isto: A própria AIE afirma que o consumo de petróleo da OCDE está em declínio, permanente.

Também é significativo que no seu relatório eles digam que a oferta de petróleo não OPEP declina a partir de 2010. De modo que todos aqueles argumentos acerca de tecnologia, aumento da recuperação, um novo Médio Oriente no Árctico... equivalem a nada, pelo menos em toda a parte não OPEP do mundo onde todas aquelas espertas companhias de petróleo ocidentais fazem o seu negócio.

Todas as análises do pico petrolífero que tem lido até agora sugerem que a previsão da AIE é demasiado optimista, tanto para as partes OPEP como não OPEP do mundo. E o delator da AIE também afirma que as suas previsões são inflacionadas. Mas um pico ainda é um pico e a AIE agora diz que a procura de petróleo da OCDE está em declínio em não recuperará os níveis anteriores à crise financeira.

Isto parece-me uma declaração dramática por parte da AIE. Esta previsão oficial da agência representativa dos países da OCDE entra agora em conflito com praticamente toda e cada uma das previsões dos seus membros individuais (e praticamente toda empresa privada). Para convencer decisores do inevitável declínio petrolífero com que nos defrontamos, não precisaremos mais referir-nos a análises online de bloggers do pico petrolífero. Você pode simplesmente dizer ao seu presidente, chefe, patrão e vizinho: A AIE afirma que o nosso consumo de petróleo está a ir abaixo, o que é que vai fazer acerca disso?

Como nota de rodapé, parece que a AIE está em boa companhia com a sua previsão actualizada. Stuart Staniford, agora a escrever em Early Warning , tem explorado tendências recentes no consumo de petróleo. Ele também considera que as economias em desenvolvimento forte e os países exportadores de petróleo têm uma balança comercial de base firme sobre a qual podem continuar a aumentar o seu próprio consumo de petróleo, embora talvez a taxas mais baixas do que as recentes, mesmo quando preços elevados e/ou tempos difíceis afectam outros lugares. Mesmo sem um pico na oferta de petróleo, Stuart mostra que os países da OCDE começarão a tomar uma grande pancada no seu consumo de petróleo ao longo dos próximos anos. Qualquer recuperação económica "real" (ainda para ser vista) está em vias de chocar-se com uma parede de tijolo dentro em breve se persistirmos nos antigos modos de usar e abusar do petróleo.

30/Novembro/2009

[*] Colaborador de The Oil Drum.

O original encontra-se em http://anz.theoildrum.com/node/5990#more

 
 
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