Povo grego volta às ruas
 
Primeira grande manifestação depois de formado o novo governo de Lucas Papademos mobiliza mais de 50 mil. Orçamento de 2012 é votado esta sexta, mas as receitas fiscais continuam a cair, apesar dos aumentos de impostos.
 
Primeiro teste do novo governo levou 50 mil à rua. Foto de Alexandros Beltes, EPA

Mais de 50 mil pessoas participaram de uma manifestação em Atenas, no que foi o primeiro teste ao novo governo dirigido por Lucas Papademos. A mobilização assinalava o 38º aniversário do levantamento dos estudantes do Politécnico de 17 de novembro de 1973, que levou ao colapso da ditadura militar que governou o país durante sete anos. Mas o que levou tanta gente à rua foi o protesto contra as medidas de austeridade anunciadas pelo novo governo que reúne os socialistas, a direita e a extrema-direita.

A manifestação dirigiu-se à embaixada dos Estados Unidos, que apoiaram a então chamada ditadura dos coronéis. A polícia deteve 78 pessoas, no que foi descrito como uma “ação preventiva”. No final, houve confrontos entre jovens manifestantes e a polícia de choque, que usou gás lacrimogéneo.

Escolheram o povo errado como cobaia”

Alexis Tsipras, da coligação Syriza, citado pelo jornal Athens News, disse que “o levante da juventude de novembro de 1973 mostra que os centros europeus e internacionais da elite económica escolheram o povo errado como cobaia”, fazendo a ligação entre os acontecimentos de 1973 e a luta contra os planos da austeridade impostos pela “troika”. Tsipras participou da manifestação ao lado de Klaus Ernst, copresidente do Die Linke alemão, que viajou para a Grécia depois de ter visitado Portugal. O líder do Syriza defendeu ainda que os bancos e o sistema financeiro devem pagar o preço da crise, não os cidadãos.

A federação dos funcionários públicos foi uma das principais organizadoras do protesto. “Numa era de crise generalizada causada por um sistema de governo globalizado, controlado pelos mercados e pela banca, o lema central do levante do Politécnico (“pão, educação e liberdade”) é o início de novas lutas dos trabalhadores e do povo para derrubar as políticas neoliberais na Grécia e na Europa”, disse em comunicado.

O Partido Comunista da Grécia organizou uma manifestação separada.

Receitas fiscais caem, apesar dos aumentos de impostos

O novo governo põe à votação esta sexta feira no parlamento o Orçamento de 2012, que inclui novas subidas de impostos e mais cortes de gastos públicos, exigidos pela “troika”.

O orçamento assegura que o próximo ano manterá a recessão, que dura quatro anos. O desemprego é de 18% e os sindicatos calculam que muitos trabalhadores já tiveram perdas de 40% dos seus rendimentos.

A austeridade, entretanto, não está a obter qualquer resultado: pelo contrário. Segundo o ministério das Finanças, as receitas fiscais do país nos dez primeiros meses de 2011, apesar dos aumentos de impostos, recuaram 4,1% em relação ao mesmo período de 2010. O Estado arrecadou menos mil milhões do que eram os objetivos orçamentais, que já haviam sido revistos em baixa.

 
 
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