Delors: Obsessão germânica por controle monetário originou a crise
 
Delors defendeu que os problemas do euro surgem de “uma combinação entre a teimosia da ideia germânica de controle monetário e a ausência de uma visão clara de todos os outros países" e alertou para o fato de a crise da dívida refletir uma ameaça ao papel global da Europa e até mesmo aos valores democráticos ocidentais básicos.
 
Foto de European Parliament, Flickr.
Foto de European Parliament, Flickr.

Em entrevista ao The Daily Telegraph, Jacques Delors, que foi presidente da Comissão Europeia de 1985-1994 e desempenhou um papel central na criação do euro em 1999, afirmou que todos os países europeus têm que dividir a culpa pela crise e que os esforços para resolver os seus problemas têm sido "muito poucos” e surgem “demasiado tarde".

 O ex-presidente da Comissão Europeia defendeu que os erros cometidos aquando da criação do euro tornaram a atual crise económica inevitável, sendo que os líderes europeus na década de 1990 optaram por fechar os olhos para as fraquezas económicas de alguns Estados membros.

 O euro surgiu, segundo Jacques Delors, sem que existissem os mecanismos necessários para evitar que os membros acumulassem dívidas insustentáveis, uma omissão que levou à crise atual.

Ainda que atribuindo responsabilidades a todos os Estados membros, o ex-presidente da CE sublinha a responsabilidade acrescida da Alemanha, face à sua insistência no sentido de o Banco Central Europeu não apoiar os membros atingidos pela crise da dívida, de forma a não alimentar a inflação.

 Delors sublinhou ainda que algumas medidas que poderiam ser postas em prática para lidar com a crise, como a criação de um mecanismo de emissão de eurobonds, que o próprio propõe há mais de 20 anos, representam uma ameaça aos interesses britânicos.

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