Escândalo envolve presidente da Alemanha
 
Christian Wulff foi obrigado a pedir desculpas por ter escondido que recebeu um empréstimo de 500.000 euros de um milionário amigo para comprar uma casa. Caso deixa Merkel em situação incómoda.
 
Relações de Wulff com amigos milionários causam incómodo à chanceler Merkel

O presidente da República da Alemanha, Christian Wulff, pediu desculpas publicamente, num curto comunicado lido no palácio presidencial, por ter tentado ocultar o facto de ter recebido um empréstimo muito vantajoso em 2008, quando era primeiro-ministro regional da Baixa Saxónia. O empréstimo foi concedido pelo empresário e milionário Egon Geerkens em condições excecionais. Em 2009, quando inquirido pelo parlamento da Baixa Saxónia sobre as suas relações com Geerkens, não mencionou o empréstimo, e ainda há 10 dias admitia ter recebido o dinheiro, mas alegava que quem lho emprestara fora a mulher do milionário.

Vários juristas acusam o presidente de ter violado as disposições legais: “Christian Wulff, na minha convicção, violou a lei ministerial da Baixa Saxónia. Já não se trata se Wulff informou de maneira completa ao Parlamento, a lei proibia receber créditos com juros baixos”, argumentou o constitucionalista Herbert von Arnim em declarações publicadas pelo jornal Die Welt.

No momento em que Wulff recebeu o crédito, em 2008, os juros frequentes para créditos de cinco anos eram de 5,43% ao ano. Wulff só teve de pagar juros de 4% e não foram exigidas.

Em editorial, o diário Die Tageszeitung foi categórico: “O Presidente mentiu”. A revista Der Spiegel, dedicou a sua capa ao escândalo, com o “Der Falsche Präsident”, uma frase ambígua que tanto pode ser traduzida como “o Presidente errado”, como “O Presidente falso”.

Wulff já foi entretanto forçado a divulgar uma lista com os locais onde passou férias quando era governador da Baixa Saxónia, onde consta que por duas vezes se hospedou em imóveis do casal Geerkens no exterior. Em seis ocasiões usou as mansões de amigos empresários durante férias privadas.

O escândalo está a causar mais um problema à coligação liderada por Angela Merkel. O porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, declarou que Merkel "tem plena confiança na pessoa e na condução do cargo" exercido por Wulff, e que a chefe de governo "não vê qualquer motivo para duvidar das informações dadas pelo presidente". Mas a imprensa dá conta do crescente desconforto da chanceler com o presidente.

Apesar de a Presidência da República se tratar de um cargo largamente cerimonial, não eleito por sufrágio universal mas pela câmara alta do parlamento federal (o Bundesrat), uma eventual demissão de Wulff seria um novo revés para Merkel. Dadas as recentes derrotas em escrutínios estaduais, a CDU dificilmente conseguirá impor à oposição um sucessor conservador.

 
 
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