O arrumar de poltronas no tombadilho do Titanic ( A ASPO-USA lança uma série de webinars)
 
A desinformação sobre energia ameaça atolar nossa economia e deixar os negócios, instituições e indivíduos despreparados para o que vem aí. Precisamos de avaliações honestas e imparciais do nosso futuro energético vindas de peritos que entendam os dados e o que significa avançar.
 

O Titanic demorou menos de três horas para afundar. Na primeira meia hora após o choque com o iceberg, apenas umas poucas pessoas sabiam da extensão dos danos e das suas consequências potenciais – mas o facto de isto não ser do conhecimento geral não significava que o navio não estivesse a afundar. Na última meia hora, até o navio afundar sob as águas gélidas, já era evidente para todos que o navio estava a soçobrar, mas em muitos casos demasiado tarde para alcançar os botes salva-vidas.

Considerando o tsunami de desinformação sobre energia que agora se verifica nos media, o papel da ASPO-USA ao proporcionar análise precisas da nossa situação energética interna e global nunca foi tão importante.

Assim, a ASPO-USA está a lançar uma série de programas webinar mensais, em que os seus membros e doadores terão a oportunidade de ver e ouvir apresentações de oradores distintos, tais como Art Berman, que fará duas apresentações, uma sobre o gás de xisto (shale gas) e outra sobre o desenvolvimento [da produção] em formações xistosas como Bakken e Eagle Ford.

A desinformação sobre energia ameaça atolar nossa economia e deixar os negócios, instituições e indivíduos despreparados para o que vem aí. Precisamos de avaliações honestas e imparciais do nosso futuro energético vindas de peritos que entendam os dados e o que significa avançar.

Acreditamos que este formato proporcionará um serviço criticamente importante para os membros da ASPO-USA e para o país. Planemos concentrar não só nas análises da nossa situação energética como também em discussões de respostas ao Pico Petrolífero que vão bem além da habitual rearrumação das cadeiras no tombadilho.

Novos artigos recentes enfatizaram pequenos crescimentos na produção e apregoaram reservas não provadas e taxas de produção potencial inflacionadas, dando aos políticos e ao público dos EUA a ideia de que a "independência energética" é um objectivo realista para nós. Sem a verdade em energia, arriscamo-nos a perder muitíssimo.

Considere isto: Após a colisão do Titanic, vamos assumir que a água estava a invadir o navio a uma taxa 10 vezes mais rápida do que a taxa a que estava a ser bombeada para fora.

Deveríamos nós concentrar-nos sobre a água que estava a ser bombeada para fora ou sobre a água que estava a entrar? Qual dos factores é crítico para um entendimento real da situação e para a segurança da maior parte dos envolvidos?

Exactamente neste momento, o centro da atenção dos media é um pequeno aumento na produção de petróleo bruto nos EUA e um pequeno aumento com impacto real relativamente pequeno do ultra-apregoado gás de xisto. Mas o que remodelará criticamente as nossas vidas, a nossa economia e o nosso futuro é o aumento dramático na procura da China e da Índia que afecta as exportações líquidas disponíveis. Arriscamo-nos demasiado se concentrarmos a nossa atenção nas coisas erradas.

No final das contas, mesmo um conhecido céptico do Pico Petrolífero, como John Hofmeister, antigo presidente da Shell Oil, já tocou o alarme acerca da nossa posição energética indefensável:

"O que é realmente sem precedentes, Carl, é o facto de que países em desenvolvimento, especialmente a China e a Índia, tem esta necessidade insaciável de mais petróleo e que a mesma não tem sido considerada quando pensamos acerca da política pública neste país. Assim, se bem que estejamos a produzir um pouco mais de petróleo neste país, e enquanto a procura está um bocado baixa, numa base global estou receoso de que enfrentaremos um ataque contínuo de preços a ascenderem cada vez mais altos. Espero estar errado nisto. Gostaria de estar errado, mas vimos em 2011 preços recorde na gasolina ao longo de todo o ano e estamos a ver o mesmo fenómeno a desencadear-se este ano. Tenho medo de que simplesmente continuem a subir mais e mais, e enquanto isso você tem refinarias a fecharem na costa Leste porque não podem conseguir a margem de que precisam para permanecerem abertas".

Quando os preços do petróleo ascendem e os custos energéticos propagam-se por toda a economia e pelas nossas vidas, dá-se cada vez mais atenção a afirmações de que o gás natural pode preencher o fosso [NR 1] . Além do facto óbvio de que o gás natural não é um combustível líquido [NR 2] , a controvérsia sobre o potencial real do gás de xisto [NR 3] continua. Portanto, nosso primeiro webinar em 5 de Abril vale-se do perito Art Berman, membro da direcção da ASPO-USA para traçar um quadro honesto do potencial do gás de xisto, que cobre:

  • Percepção das tendências actuais da oferta.
  • Desafios técnicos e económicos para manter ou aumentar a oferta de gás de xisto nos EUA.
  • Consequências de preços baixos prolongados para o gás natural.
  • Lições da experiência com apostas individuais de gás de xisto.
  • Interconexões com o desenvolvimento do gás de xisto.

Arthur E. Berman é consultor em geologia e especialista em prospecção, avaliação de reservas, avaliação de risco, interpretação geológica e geofísica subterrânea e gestão de base de dados. Com 32 anos de experiência na indústria do petróleo e do gás, o sr. Berman trabalhou 20 anos na Amoco Production Company e 10 anos como consultor geológico independente. Amplamente citado, Berman foi instrumental numa recente série do New York Times que examinava se o que nos dizem acerca do gás de xisto é realmente algo com que se possa construir um futuro.

Os futuros webinars cobrirão questões que incluem Óleo de xisto, O papel da China e da Índia, Entendimento da economia do pico, A conexão petróleo-alimentos e outros. Convidamo-lo a participar da nossa série de webinars e a ajudar a levar a Verdade em Energia à nossa discussão energética nacional.

O primeiro webinar da ASPO-USA, "Shale Gas Update", será quinta-feira, 5 de Abril de 2012, das 14h00 às 15h30 (hora do Leste dos EUA). Para mais informação ver www.aspousa.org/index.php/2012/03/shale-gas-update-with-art-berman-april-5-2012/

NR
[1] Poucos pensarão que o gás natural possa substituir as quantidades de petróleo actualmente consumidas nos EUA e no mundo. Os que defendem a substituição dos combustíveis líquidos pelo gás natural no sector dos transportes fazem-no tendo em vista a redução do impacto brutal do Pico Petrolífero, cada vez maior à medida que o mundo avança no lado declinante da Curva de Hubbert.
[2] Isso não constitui problema para um motor de combustão interna e é até uma grande vantagem – os combustíveis gasosos são superiores aos líquidos sob muitos aspectos.
[3] A maior parte do gás natural produzido e consumido no mundo não provém do gás de xisto. O metano pode ter muitas origens, fósseis e não fósseis. A questão controversa do gás de xisto, cuja produção exige explosões subterrâneas que podem poluir lençóis freáticos, é mais específica dos EUA.

O original encontra-se em Peak Oil Review , de 26/Março/2012

 
 
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