Bolívia: a suspeitíssima greve dos policiais
 
Assim como no Equador, há um ano, movimento desvia armas dos quartéis, dispara durante manifestações e pode estar interessado em criar incidente contra governo de Evo Morales. Altamiro Borges, do blog e de Outras Palavras.
 

25/06/2012

A ministra das Comunicações da Bolívia, Amanda Dávila, alertou hoje (24) que está em curso uma nova tentativa de golpe no país. Setores da direita estariam tentando se aproveitar de uma paralisação na polícia para criar um clima de pânico na sociedade e para exigir a deposição do presidente Evo Morales. Armas foram retiradas de unidades policiais e usadas em manifestações de rua numa nítida provocação.

Estímulo à radicalização

“Sabemos com absoluta certeza que uma atitude deste tipo pode provocar enfrentamentos”, denuncia a ministra. Lideranças de direita e setores da mídia têm estimulado a radicalização da greve para desestabilizar o país. O governo tem evitado confrontos, para não dar pretexto para a direita, e procurado negociar. Ele já anunciou um reajuste salarial e a modificação de uma lei disciplinar considerada excessivamente repressiva.

O sindicato da categoria aceitou o acordo, mas foi atropelado pela assembleia deste domingo. Logo após, cerca de 300 pessoas se dirigiram ao palácio presidencial aos gritos de “motim policial, motim policial”, mas não houve confrontos. A mídia golpista, que sempre se opôs às lutas dos trabalhadores, tem dado apoio aos grevistas contra o “presidente esquerdista” Evo Morales – como ele é tratado pelos principais veículos.


Movimento conspirativo e desestabilizador

Ainda hoje, o ministro Carlos Romero divulgou o conteúdo de gravações entre policiais amotinados que pregam “limpiar” (matar) autoridades governamentais. Numa das gravações, uma liderança do motim ordena “preparar bombas molotovs para atacar” integrantes das Forças Armadas alojados no palácio presidencial. Para ele, a greve dos policiais é legítima, mas está sendo usada por setores de direita “para intentar se converter num movimento político, conspirativo, desestabilizador”.

Diante do risco de um golpe, a exemplo do que ocorreu na sexta-feira passada no Paraguai, o movimento camponês convocou uma vigília em defesa da democracia. Roberto Coraite, dirigente da Confederação Sindical Única dos Trabalhadores Camponeses da Bolívia (Csutcb), garantiu que a sociedade não vai se deixar enganar pelas manobras da direita oligárquica.

“Não vamos baixar a guarda. Estamos em vigília porque sabemos da ação golpista de alguns grupos políticos, inclusive da Polícia Nacional. Não vamos permitir golpes de Estado. Se eles continuam com esta conspiração, instigados por partidos infiltrados na greve, como o Movimento Sem Medo e Unidade Nacional, nós vamos nos mobilizar para garantir a democracia”, garantiu Roberto Coraite.

 
 
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