Assange não vai entregar-se à polícia britânica
 
Polícias vão à embaixada do Equador para intimar o fundador da Wikileaks a comparecer a uma esquadra para dar início ao processo de extradição para a Suécia, sob pena de nova violação à liberdade condicional. E mais: Intelectuais e artistas defendem asilo político para Assange: Noam Chomsky, Michael Moore, Tariq Ali, Oliver Stone e Danny Glover, entre outros, entregaram esta segunda-feira uma carta à embaixada do Equador em Londres, pedindo que seja concedido asilo político a Julian Assange, fundador do Wikileaks. Artigo de David Brooks -La Jornada, publicado na Carta Maior.
 
“A lei de asilo tem precedência sobre a lei de extradição”, disse Assange. Foto de wheelzwheeler

Ouvido ao telefone pela BBC, Julian Assange disse ter sido aconselhado a ignorar o pedido feito pela polícia de se entregar, saindo da embaixada do Equador em Londres, por temer que a Suécia o extradite para os EUA. “A lei de asilo, tanto em termos domésticos quanto internacionais, tem precedência sobre a lei de extradição”, disse o fundador da Wikileaks.

Assange insistiu que os EUA já reuniram secretamente um grande júri desde o início de 2011 para o acusar. E reproduziu à BBC gravações de alguns políticos norte-americanos que se disseram a favor do seu assassinato.

Sobre as mulheres suecas que o acusam de violação na Suécia, Assange insistiu que não foi acusado de nada e que tudo o que havia a dizer sobre esse caso já foi dito.

Entretanto, Robert Naiman, diretor do grupo de campanha Política Externa Justa, entregou na embaixada do Equador um pedido para que o presidente Rafael Correa aceite dar asilo a Julian Assange. O pedido foi assinado por mais de 4 mil norte-americanos, entre eles os cineastas Michael Moore e Oliver Stone, o ator Danny Glover, o linguista e ativista Noam Chomsky, o comediante Bill Maher, e Daniel Ellsberg, que divulgou em 1971 os Papéis do Pentágono.

Noam Chomsky, Michael Moore, Tariq Ali, Oliver Stone e Danny Glover, entre outros, entregaram esta segunda-feira uma carta à embaixada do Equador em Londres, pedindo que seja concedido asilo político a Julian Assange, fundador do Wikileaks. Artigo de David Brooks - La Jornada, publicado na Carta Maior.
Foto de acidpolly.

Um amplo leque de intelectuais, artistas, cineastas e escritores de várias partes do mundo solicitaram ao governo do Equador que conceda asilo a Julian Assange, Fundador do Wikileaks, que se encontra refugiado na embaixada desse país em Londres.

 

Noam Chomsky, Michael Moore, Tariq Ali, Oliver Stone, o ator Danny Glover, o comediante Bill Maher, Daniel Ellsberg, ex-analista militar famoso por divulgar os Papeis do Pentágono durante a guerra do Vietname, e Denis J. Halliday, ex-secretário geral assistente da Organização das Nações Unidas, entre dezenas de outras personalidades, assinaram a carta de apoio ao pedido de Assange de asilo político, a qual foi entregue na segunda-feira à embaixada do Equador em Londres.

Os signatários da carta defendem que se trata de um caso claro de ataque contra a liberdade de imprensa e contra o direito do público de conhecer verdades importantes sobre a política externa, além de uma séria ameaça à saúde e ao bem-estar de Assange (no caso de uma extradição para os Estados Unidos).


O fundador do Wikileaks ingressou na sede diplomática equatoriana a semana passada para a evitar a sua extradição para a Suécia. Os signatários da carta entregue segunda feira concordam com o agora fugitivo (rompeu as condições de sua detenção domiciliar ao entrar na sede diplomática) que há razões para temer a sua extradição, pois há uma alta probabilidade de que, uma vez na Suécia, seja encarcerado e provavelmente extraditado para os Estados Unidos.

O governo de Barack Obama realizou um processo conhecido como grande júri para preparar uma possível acusação legal criminal contra Assange, ainda que o procedimento seja secreto até emitir a sua conclusão. Além disso, os meios de comunicação relataram que os departamentos de Defesa e de Justiça investigaram se Assange violou leis penas com a divulgação de documentos oficiais.

Os signatários sustentam que esta e outras evidências mostram a hostilidade contra a Wikileaks e o seu criador por parte do governo estadunidense, e que se ele fosse processado conforme a Lei de Espionagem nos Estados Unidos poderia enfrentar a pena de morte. Além disso, acusam o tratamento desumano ao qual foi submetido Bradley Manning, o soldado acusado de ser a fonte dos documentos vazados para a Wikileaks.

“Reivindicamos que seja outorgado asilo político ao senhor Assange, porque o ‘delito’ que ele cometeu foi o de praticar o jornalismo”, afirmam na carta. “Assange revelou importantes crimes contra a humanidade cometidos pelo governo dos Estados Unidos. Os telegramas diplomáticos revelaram as atividades de oficiais estadunidenses que atuaram para minar a democracia e os direitos humanos ao redor do mundo”, acrescentam.

A carta, entregue por Robert Naiman, diretor da organização estadunidense Just Foreign Policy, autora da iniciativa, foi acompanhada de outra petição assinada por mais de 4 mil estadunidenses que solicitam que o governo do Equador conceda asilo a Assange.

A íntegra da carta pode ser vista em justforeignpolicy.org/node/1257.

 

 
 
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