Cortes fazem disparar desemprego em Espanha e Mais austeridade fulmina a Grécia
 
Confiram o resultado das políticas neoliberais aplicadas nestes dois países: o povo pagando a conta do capital: o desemprego na Espanha registou o pior índice das últimas décadas no segundo trimestre deste ano. Na Grécia, a troika e o governo que lhe está submetido em Atenas decidiram um acréscimo de 11600 milhões de euros de cortes orçamentais em salários e saúde pública a aplicar durante os anos de 2013 e 2014.
 
Cortes fazem disparar desemprego em Espanha
 
O desemprego na Espanha registou o pior índice das últimas décadas no segundo trimestre deste ano. Uma em cada quatro pessoas da população ativa do país está desempregada, revelou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística espanhol.
Foto the real duluoz/Flickr

Segundo o jornal El Pais, a taxa de desemprego chegou a superar a registada em 1994 (24,55%) que era considerada, até então, a maior já vivida na Espanha nos tempos de democracia. São números  que não se viam desde 1976, durante a ditadura franquista.

De abril a junho, mais de 50 mil pessoas ficaram sem emprego no país que passou a somar, no total, 5,6 milhões de desempregados, incluindo espanhóis e estrangeiros. Como consequência disso, a taxa de desemprego subiu em 0,19% em relação ao trimestre anterior e situa-se em 24,63%.

A falta de emprego atingiu de forma desigual as regiões espanholas, os setores económicos e a própria população. Dependendo da faixa etária, do sexo, da área de trabalho e da região, os moradores da Espanha encontraram mais ou menos dificuldades para serem empregados neste segundo trimestre. Mulheres jovens, da região da Andaluzia que trabalham no ramo da agricultura foram as mais prejudicadas pela situação económica no último trimestre.

Mesmo com o desemprego entre os homens a aumentar em relação ao índice anterior, atingindo 24,5%, da população masculina, e mais postos de trabalho terem sido criados para o setor feminino, a taxa de desemprego entre as mulheres foi de 24,71%. A população jovem continua a ser a mais atingida pela crise, segundo os dados divulgados.

As estatísticas também mostram que 44 mil empregos foram destruídos na área da agricultura e 21 mil na indústria, enquanto que 42,8 mil foram criados no setor de serviços e 6,2 mil na construção. Para o El Pais, a queda de postos de trabalho na indústria é um dos sinais mais preocupantes da recessão económica.

Em relação às regiões da Espanha, a mais atingida pelo desemprego durante o segundo trimestre foi a Andaluzia, onde 23,3 mil pessoas se tornaram desempregadas, e a menos foi o arquipélago das Ilhas Baleares, seguida por Madrid. Apesar disso, a maior taxa de desemprego (33,9%) foi encontrada na Catalunha e a menor, no Paíse Basco (14,56%).

A austeridade e o desemprego

As autoridades espanholas explicaram que o aumento do índice de desemprego no país é consequente da recessão económica e do aumento da população ativa no país (37,6 mil pessoas a mais do que no começo do ano). No entanto, diários espanhóis apontam também o papel dos cortes orçamentais e da reforma laboral, aprovada pelo governo em fevereiro.

Como lembrou o El Pais, esta estatística é a primeira realizada após a reforma laboral no país e mostra os seus efeitos nefastos na taxa de desemprego. Responsável por flexibilizar os contratos, a reforma foi responsável por embaratecer os despedimentos.

O novo plano de austeridade aprovado pelo Parlamento espanhol neste mês deve piorar ainda mais o quadro económico no país. Apenas no segundo trimestre, o setor público destruiu 63 mil postos de trabalho, o que deve piorar nos próximos meses com a aplicação das novas medidas.

Até 2014, o governo espanhol deve economizar 65 mil milhões de euros de seu orçamento público.  Esta foi a condição imposta pela União Europeia ao empréstimo bilionário negociado com o governo no dia 9 de julho, realizado para recapitalizar os bancos nacionais. Enquanto as instituições financeiras recebem o apoio financeiro do Estado, o presidente espanhol anunciou que irá realizar cortes severos do orçamento público e um drástico aumento dos impostos.


Artigo de Marina Mattar, publicado em Opera Mundi.

 

Mais austeridade fulmina a Grécia

A troika e o governo que lhe está submetido em Atenas decidiram um acréscimo de 11600 milhões de euros de cortes orçamentais em salários e saúde pública a aplicar durante os anos de 2013 e 2014.
A troika e o governo que lhe está submetido em Atenas decidiram um acréscimo de 11600 milhões de euros de cortes orçamentais em salários e saúde pública a aplicar durante os anos de 2013 e 2014.

A informação ainda não foi confirmada oficialmente mas circula no âmbito das reuniões que os fiscais da troika estão a efectuar em Atenas com o primeiro ministro António Samaras e o ministro das Finanças, Yannis Sturnaras.

Em termos oficiais, a agenda dos encontros integra a situação do sistema bancário e o modo de o recapitalizar, as "reformas estruturais", designadamente privatizações e liberalização em profissões até agora não abrangidas, e os meios de financiamento do país.

O ministro das Finanças terá entregue entretanto aos fiscais as novas medidas de austeridade a impor à população. A agência Bloomberg informa que, embora a notícia ainda não seja oficial, os novos golpes orçamentais deverão atingir os salários da função pública, mais despedimentos, cortes de pensões e novas reduções de despesas com os serviços de saúde.

A definição destas medidas não garantirá ainda, à partida, que a Grécia esteja em condições de receber o previsto resgate de 130 mil milhões de euros, o que dependerá do relatório a apresentar em Setembro pela troika às instituições europeias. Os primeiros dados sobre as impressões dos fiscais à chegada a Atenas são no sentido e a Grécia "não ter feito nada" para combater a dívida nos últimos quatro meses. O constante aumento da percentagem da dívida pública em relação ao PIB resulta porém, em grande parte, do aprofundamento da recessão – que já atingiu os sete por cento – resultante do agravamento permanente da política de austeridade, de novo agora reforçado.

O banco norte-americano Citigroup divulgou entretanto previsões segundo as quais a Grécia deverá sair do euro a curto prazo, avançando até com a data de 1 de Janeiro de 2013. De acordo com Michael Saunders, um economista do Citigroup, "antes das eleições gregas os membros da troika estavam dispostos a ser pacientes mesmo tendo a noção de que a Grécia estava a derrapar para fora do memorando, esperando que surgisse um governo capaz de fazer com que o programa de assistência voltasse aos carris; essas esperanças não se concretizaram". No entanto, o governo de Atenas é constituído por uma coligação dos partidos que se submeteram por escrito às ordens da troika e ao regime de protetorado governado a partir de Bruxelas.

Artigo publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu

 
 
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