Eric Hobsbawm (1917-2012)
 
O pensador marxista, cuja obra influenciou gerações de historiadores e ativistas de esquerda, morreu esta segunda-feira de manhã, no Royal Free Hospital de Londres, após longa doença, com 95 anos.
 
Eric Hobsbawm, um dos principais historiadores do século XX, morreu esta segunda-feira, após um longo período de doença (pneumonia), informou a sua família. Conforme noticia o jornal britânico The Guardian, Hobsbawm, o pensador marxista cujo trabalho influenciou gerações de historiadores e dirigentes políticos, morreu nas primeiras horas da manhã, no Royal Free Hospital, em Londres, segundo informou a sua filha Julia. Tinha 95 anos. Os seus quatro volumes sobre os séculos XIX e XX, abrangendo a história europeia desde a revolução francesa até à queda da URSS, são reconhecidos como obras incontornáveis, definidoras do seu período. O historiador Niall Ferguson, citado pelo The Guardian, considera o quarteto A Era das Revoluções (1962), A Era do Capital (1975), A Era dos Impérios (1987) e a Era dos Extremos (1994) "o melhor ponto de partida para quem deseja começar a estudar a história moderna". Eric John Ernest Hobsbawm nasceu em Alexandria, a 9 de Junho de 1917, durante o protetorado britânico no Egipto. Os seus pais – ele britânico, ela austríaca – mudaram-se para Viena, quando Eric Hobsbawm tinha dois anos de idade, e mais tarde para Berlim. Em 1933, ano em que Hitler sobe ao poder na Alemanha, a família com origens judaicas muda-se definitivamente para Londres. Estudou no liceu de Marylebone, realizando os seus estudos superiores no Kings College e em Cambridge. Em 1947, inicia a sua atividade como professor de História no Birkbeck College da Universidade de Londres. Mais tarde, chegou a dar aulas na New School for Social Research, em Nova Iorque. Era membro da Academia Britânica (desde 1978) e da Academia Americana de Artes e Ciências. Filiou-se no Partido Comunista aos 14 anos, já após a morte dos seus pais. O compromisso com o pensamento marxista Hobsbawm assumiu-o toda a vida e na sua obra, o que o tornou uma figura controversa. A sua associação ao Partido Comunista Britânico continuou mesmo após a invasão soviética da Hungria em 1956. "Os meses da minha estadia em Berlim fizeram de mim um comunista para toda a vida, ou, pelo menos, um homem cuja vida perderia a sua marca característica e o seu sentido sem o projeto político a que se consagrou quando estudante, e isto apesar de esse projeto ter manifestamente falhado e de eu saber hoje que estava, de facto, condenado a falhar. O sonho da Revolução de Outubro permanece algures vivo em mim, nalgum recanto da minha intimidade, como se se tratasse de um desses textos que foram apagados, mas que continuam à espera, perdidos no disco duro de um computador, que um especialista apareça para os recuperar”, escreveu na sua autobiografia Tempos Interessantes: Uma Vida no Século XX (2002). No seu último livro, que tem o sugestivo título Como mudar o mundo, o historiador refuta com a sua habitual lucidez as más interpretações, arquiva os preceitos que envelheceram e utiliza as ferramentas oferecidas pelo autor de O Capital para entender o mundo no século XXI e fazê-lo um lugar melhor.
 
 
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