Grécia: o tempo do governo “está chegando ao fim”
 
A Greve Geral convocada pelos principais sindicatos do país, o GSEE, do setor privado, e o Adedy, do setor público, contra o novo pacote de austeridade no valor de 13,5 mil milhões de euros, teve um forte impacto em diferentes sectores. Para Alex Tsipras, líder da coligação Syriza, o tempo do governo está a chegar ao fim, já que “as pessoas estão a tomar os assuntos nas suas próprias mãos”. Fonte: Esquerda.net
 
Esta quinta feira, o aeroporto da capital grega esteve praticamente vazio, o metro fechou, a maior parte dos transportes rodoviários urbanos não circularam, os transportes ferroviários estiveram parados, os ferries que fazem a ligação às ilhas não saíram dos portos, o comércio esteve fechado, bem como muitos serviços públicos, os hospitais funcionaram em regime de serviços mínimos. Nas ruas, dezenas de milhares de pessoas participaram nos protestos que marcaram a vigésima paralisação geral desde o início da crise da dívida, há dois anos atrás, a quinta este ano e segunda do mês de outubro. Alguns manifestantes ostentaram bandeiras de Portugal e de Espanha ao lado da bandeira da Grécia, ao mesmo tempo que exigiam a saída do Fundo Monetário Internacional e da Comissão Europeia da Grécia. No mesmo dia em que os líderes europeus se reuniram em Bruxelas, a Praça Syntagma, em Atenas, foi novamente escolhida como palco principal dos protestos. O espaço, para onde foi mobilizado um forte contingente policial, e para onde confluíram cinco grandes manifestações, chegou a ser encerrado. Registaram-se ainda vários outros protestos pelo país, nomeadamente em cidades como Thessaloniki e Patras, bem como na ilha de Creta. A polícia voltou a utilizar gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento para dispersar os manifestantes. Os confrontos resultaram em quatro feridos, sendo que dois dos mesmos necessitaram de assistência hospitalar. Um manifestante de 65 anos morreu ao princípio da tarde, segundo confirmaram fontes policiais gregas. O incidente terá ocorrido "num local onde não se registaram confrontos", contudo, as circunstâncias ainda estão por apurar, existindo suspeitas de "morte súbita" ou "ataque cardíaco". Durante os protestos, Yannis Panagopoulos, representante do sindicato do sector privado GSEE, defendeu que “pelo menos uma vez, o governo deveria rejeitar as imposições absurdas da troika”. “Concordar com medidas catastróficas significa levar a sociedade ao desespero, e as consequências, assim como os protestos, serão então indeterminados", avançou. Já o líder da estrutura sindical do sector público ADEDY salientou que “as novas exigências apenas acabarão com o que resta” dos “direitos laborais e sociais" dos cidadãos. O líder da coligação Syriza, que participou na manifestação em Atenas, sublinhou, por sua vez, que “o seu tempo [do governo] está a chegar ao fim” e que “ as pessoas estão a tomar os assuntos nas suas próprias mãos”. A Grécia vive o quinto ano consecutivo de recessão e conta com mais de quarto da população ativa no desemprego.
 
 
ver todos os artigos