Israel inicia expulsão de parte dos ativistas da Frota da Liberdade
 
Ativistas denunciam terem sido vítimas da “tortura do eletrochoque” por parte da Marinha israelense. Veleiro Estelle, que levava ajuda humanitária, foi interceptado em águas internacionais. Fonte: Jornal Brasil de Fato
 
22/10/2012 Michelle Amaral, da Redação O veleiro Estelle, interceptado no sábado por Israel - Foto: Sarean.com/CC O governo israelense iniciou no domingo (21) a expulsão de parte dos 30 ativistas pró-palestinos da 3ª Frota da Liberdade, que se dirigia à Faixa de Gaza. O veleiro Estelle, que viajava com bandeira finlandesa, foi interceptado pela Marinha israelense no último sábado (20), quando tentava furar o bloqueio imposto por Israel para levar ajuda humanitária aos palestinos. Após a interceptação, a embarcação foi levada ao porto israelense de Ashdod e os passageiros seguiram para o centro de detenção em Guivón, próximo a Tel Aviv. De acordo com o porta-voz do serviço de Migração do Ministério do Interior israelense, até o momento foram encaminhados a seus países de origem três espanhóis, cinco gregos e um italiano. Para serem liberados, eles assinaram um documento admitindo que haviam entrado ilegalmente em águas de Israel e renunciaram, assim, qualquer forma de apelação contra sua expulsão do país. Outros 18 ativistas internacionais que estavam no Estelle se negaram a assinar o documento e deverão participar, em até 72 horas, de audiências para decidir suas repatriações. São eles: 11 suecos, quatro noruegueses, dois finlandeses e um canadense. Entre os ativistas estavam três israelenses, que também foram detidos e devem ficar à disposição do governo de seu país. Apesar da alegação da Marinha israelense de a interceptação ter ocorrido em águas de Israel, a ONG "Rumo a Gaza", que se encarrega de organizar a participação espanhola na Frota da Liberdade, disse em nota que a abordagem do veleiro aconteceu em águas Interceptação do veleiro aconteceu em águas internacionais - Foto: Reprodução internacionais às 10h15 (veja mapa ao lado). Além disso, segundo Victoria Strand, porta-voz de uma organização sueca que participou da ação humanitária, soldados armados e mascarados entraram no barco quando este estava a cerca de 30 milhas náuticas de Gaza. Ela disse, ainda, que os ativistas a bordo lhe disseram que a embarcação foi cercada por seis barcos da Marinha israelense. Tortura O exército israelense, em comunicado emitido no sábado para informar sobre a interceptação do veleiro Estelle, afirmou que a abordagem foi feita de maneira pacífica, respeitando o direito internacional, e após várias tentativas para impedir que o navio continuasse seu rumo a Gaza. “Como resultado de sua falta de vontade de cooperar e após ignorar as chamadas para que mudasse de rumo, foi tomada a decisão de abordar o veleiro e conduzi-lo ao porto de Ashdod", relata o boletim militar. No entanto, a advogada Gaby Lasky, que representa parte dos ativistas detidos, denuncia que os passageiros do veleiro foram vítimas da chamada “tortura do eletrochoque”. Segundo ela, a Marinha israelense usou pistolas de carga elétrica, utilizadas para imobilizar pessoas. O movimento islamita Hamas condenou a abordagem israelense à 3ª Frota da Liberdade e a descreveu como um ato de "pirataria" e "crime de guerra". "A intercepção do navio é um ato de pirataria israelense (...) um crime contra a humanidade e contra o povo palestino", disse em um comunicado Fawzi Barhum, porta-voz do movimento que governa Gaza. Para Barhum, "este crime deve encorajar outros navios de solidariedade a vir a Gaza para desafiar o bloqueio e terminar o sofrimento do povo palestino". Ativistas integrantes da 3ª Frota da Liberdade - Foto: Reprodução/Twitter Frota da Liberdade Em 31 de maio de 2010, a primeira Frota da Liberdade foi atacada pelo exército israelense em águas internacionais, quando também tentava levar ajuda humanitária aos palestinos da Faixa de Gaza. Na ocasião, a ação israelense resultou na morte de nove ativistas turcos que estavam a bordo do Mavi Marmara, um dos seis barcos que integravam o comboio. Já em novembro de 2011, um barco canadense e um iate irlandês foram detidos por forças israelenses durante uma tentativa de levar medicamentos aos palestinos. Israel controla a faixa costeira palestina desde 1967, quando tomou Gaza durante a Guerra dos Seis Dias. O bloqueio total - terrestre, aéreo e marítimo – foi imposto em 2006 e, desde então, os palestinos da Faixa de Gaza vivem em estado de necessidade, dependendo de ajuda humanitária internacional até para se alimentar. (com agências internacionais)
 
 
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