China: Família do provável futuro presidente também enriqueceu e família do primeiro-ministro fica milionária durante o seu mandato
 
Xi Jinping, o candidato mais forte, até este momento, para se tornar o novo presidente da China, é juridicamente pobre, mas a família amealhou uma fortuna avaliada em 376 milhões de dólares. E mais: Investigação do New York Times mostra como a família do primeiro-ministro Wen Jiabao juntou uma fortuna avaliada em 2,7 mil milhões de dólares durante o seu mandato. China baniu o acesso ao site do jornal. Por Tomi Mori, correspondente internacional do Esquerda.net
 
Artigo | 28 Outubro, 2012 - 13:20 | Por Tomi Mori Negócios da família de Xi Jimping incluem o setor da mineração, de metais raros, investimentos imobiliários e de telecomunicações móveis. Xi Jinping, se todos analistas políticos não estão enganados, já deverá ter encomendado o fato novo para o dia 8 de novembro, data marcada pela direção do Partido Comunista Chinês para a renovação da liderança do país. Xi Jinping é o candidato mais forte, até este momento, para se tornar o novo presidente da China, transformando-se no segundo homem mais poderoso do planeta, depois de Barack Obama. O facto mais relevante na biografia política de Xi Jinping é que, mesmo tendo ascendido na hierarquia chinesa, continua juridicamente pobre. Mas, por outro lado, a sua família, segundo nos conta a Bloomberg no artigo “Xi Jinping Millionaire Relations Reveal Fortunes of Elite”, amealhou uma fortuna que, meses atrás, era avaliada em 376 milhões de dólares. É, sem duvida, um dos “comunistas” mais ricos da atualidade. Esse artigo, publicado em junho, provocou grande irritação em Pequim, com a Bloomberg a ser bloqueada na Internet como represália. Não há como provar, e ninguém está interessado nisso, que a família de Xi Jinping formou essa fortuna na mesma proporção em que ele subia os degraus da hierarquia do Partido Comunista. Os negócios da família incluem o setor da mineração, de metais raros, investimentos imobiliários e de telecomunicações móveis. São, como os outros casos que envolvem a burocracia chinesa, como o recente escândalo financeiro envolvendo o primeiro-ministro Wen Jiabao, negócios obscuros, entrelaçados numa complexa rede de empresas e entidades, cujo objetivo é despistar o olhar dos curiosos. Em 2004, ainda dizia aos quadros dirigentes chineses para não usarem o seu poder para ganhos pessoais. Mas parece que seguia a risca o velho ditado: “Faz o que eu digo, mas não faças o que eu faço.” A parte menos relevante da sua biografia é que, nascido em Pequim, em 1953, é filho de Xi Zhongxun, fundador da guerrilha na província de Shanxi, durante a Revolução Chinesa, e que também foi vice primeiro-ministro. Graduado em engenharia química, Xi começou a sua carreira política na província de Fujian. Ascendendo na hierarquia, foi nomeado presidente do partido e governador da província de Zhejian. Posteriormente, subindo mais alguns degraus, foi nomeado chefe do partido em Xangai, uma das províncias mais importantes da China. Xi é vice-presidente da Comissão Militar Central, membro do poderoso Politburo, composto de 9 pessoas, do PCC e vice-presidente da China. A subida de Xi Jinping ao cargo de maior peso na sociedade chinesa representará a vitória das dinastias familiares formadas por aqueles que dirigiram a Revolução Chinesa, em 1949 e que agora controlam o país. E representara também, que a elite corrupta da qual será o seu principal representante, continuará a dirigir a segunda economia mundial, até que seja tirada pela rebelião das massas, que não param de lutar naquele pais. Não há como acreditar que homens como ele possam trazer estabilidade política e económica num período como este que vivemos, tendo que administrar os interesses dos capitalistas e burocratas do partido ao mesmo tempo que são obrigados a manter a maior população do planeta na pobreza e miséria. E, se o fizer, só poderá ser com base numa repressão brutal às massas chinesas. China: família do primeiro-ministro fica milionária durante o seu mandato Artigo | 26 Outubro, 2012 - 15:11 | Por Tomi Mori Mãe de Wen Jiabao, filho, filha, irmão mais novo e cunhado ficaram ricos no período do mandato. Foto de Eorld Economic Forum O jornal New York Times desferiu um poderoso golpe na elite chinesa ao publicar uma reportagem de investigação mostrando como a família do primeiro-ministro Wen Jiabao, um dos principais dirigentes “comunistas”, enriqueceu espetacularmente durante o seu mandato. Segundo esse influente e reacionário jornal, a mãe de Wen Jiabao, uma ex-professora do norte da China, cujo nome é Yang Zhiyun, de 90 anos, tornou-se milionária, sem que ninguém consiga explicar como uma viúva nessa idade pôde ter investimentos em seu nome avaliados há cinco anos em 120 milhões de dólares. Todos sabemos que uma professora, mesmo estando entre as melhor remuneradas, teria que reencarnar milhares e milhares de vezes para poder economizar tal cifra, apenas com o seu salário, dando aulas para alunos chineses. O jornal questiona se a senhora Yang tem conhecimento da fortuna em seu nome e adianta que o milagre ocorreu desde que o seu famoso filho galgou o posto de vice primeiro-ministro, em 1998, e primeiro-ministro,cinco anos depois. Mas o ouro não reluz apenas nas mãos da velha mãe de Wen Jiabao. Também o seu filho, a filha, o irmão mais novo e o cunhado ficaram ricos nesse período. Segundo a reportagem, em muitos casos os nomes dos parentes ficam escondidos em camadas que ocultam parcerias e investimentos envolvendo amigos, colegas de trabalho e sócios. A investigação mostra que os negócios da família, às vezes, recebem apoio financeiro de empresas do estado como a China Mobile e também de milionários da Ásia. Interesses em bancos, joalharias, resorts turísticos, empresas de telecomunicações e infraestrutura A família de Wen Jiabao tem participação acionária em bancos, joalharias, resorts turísticos, empresas de telecomunicações e companhias ligados ao setor de infraestrutura, muitas vezes utilizando entidades estrangeiras. Os negócios envolvem a construção de uma vila em Pequim, uma fábrica de pneus no norte, a Pin An Insurance, empresa de seguros e finanças, e uma companhia envolvida na construção de estádios para as Olimpíadas de Pequim, como o Bird´s Nest, cartão postal desse evento. A empresa do irmão mais novo de Wen Jiabao recebeu contratos governamentais de nada menos que 30 milhões de dólares. Enquanto a família de Wen Jiabao juntou uma fortuna avaliada em 2,7 mil milhões, um operário chinês é obrigado a viver com um salário miserável, em torno de 1700 yuans, ou menos, dependendo da localidade, e sendo obrigado a jornadas extenuantes de trabalho. Essa exploração bárbara das empresas estrangeiras cujos negócios estão ligados à elite comunista levou a uma onda de suicídios na Foxconn e agora é um dos motivos da recente greve da Compal, cujos trabalhadores não têm direito sequer a um repouso semanal. A denúncia pública da corrupção reinante na elite chinesa, atingindo Wen Jiabao, um dos mais poderosos líderes políticos, duas semanas antes da renovação da direção chinesa, marcada para o próximo dia 8 de novembro, apenas demonstra a tormenta política que se arma nos céus daquele país. O fosso da desigualdade social criado, desde que a China retornou ao rumo capitalista, demonstra que acontecimentos dramáticos de grande envergadura esperam os novos dirigentes que serão anunciados nos próximos dias. Prova disso é que a veiculação desta notícia na China já se encontra banida na internet, sem falar nos demais meios de comunicação controlados pelo Partido Comunista Chinês.
 
 
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