Morreu Oscar Niemeyer
 
Aos 104 anos, faleceu Oscar Niemeyer, o mais famoso arquiteto brasileiro e um dos grandes expoentes mundiais da arquitetura do século XX, que dizia: “A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem”.
 
Oscar Niemeyer nasceu a 15 de dezembro de 1907, no Rio de Janeiro, e formou-se em arquitetura e engenharia em 1934 no Brasil, na Escola Nacional de Belas Artes. Começou então a trabalhar no escritório dos arquitetos Lúcio Costa e Carlos Leão, no projeto do Ministério da Educação e Saúde. Lúcio Costa e Oscar Niemeyer foram os arquitetos da cidade de Brasília, o primeiro foi o autor do Plano Piloto e desenvolveu o plano da cidade, enquanto Niemeyer foi o autor de muitos dos edifícios públicos, entre os quais o Palácio da Alvorada, residência oficial do Presidente da República do Brasil, e o edifício do Congresso Nacional. Niemeyer participou também na comissão de arquitetos que conceberam a sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, e desenhou muitos edifícios no Brasil e em diversos países do mundo inteiro. Segundo a agência Brasil, entre as mais importantes obras de Niemeyer destacam-se o conjunto arquitetónico da Pampulha, em Belo Horizonte; o Edifício Copan, em São Paulo; a construção de Brasília; a Universidade de Constantine e a Mesquita de Argel, na Argélia; a Feira Internacional e Permanente do Líbano; o Centro Cultural de Le Havre-Le Volcan, na França; os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) e a Passarela do Samba, no Rio de Janeiro; o Memorial da América Latina e o Parque do Ibirapuera, em São Paulo; e o Caminho Niemeyer, em Niterói, Rio de Janeiro; além do Porto da Música, na Argentina. “Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”, dizia Oscar Niemeyer, que sempre sonhou com uma sociedade igualitária. Em 1945, aderiu ao Partido Comunista do Brasil e em 1965 demite-se da Universidade de Brasília, com outros 222 professores, em protesto contra a política universitária e as perseguições da ditadura militar brasileira. Em 1966 exilou-se em França, onde viveu até ao fim ao fim da ditadura, no início dos anos 80. Em nota da presidência brasileira, Dilma Rousseff afirma: "’A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem', dizia Oscar Niemeyer, o grande brasileiro que perdemos hoje. E poucos sonharam tão intensamente e fizeram tantas coisas acontecer como ele". A presidenta do Brasil disse ainda que o arquiteto foi um "revolucionário, mentor de uma nova arquitetura, bonita, lógica e inventiva" e destaca: "Da sinuosidade da curva, Niemeyer desenhou casas, palácios e cidades. Das injustiças do mundo, sonhou uma sociedade igualitária. ‘Minha posição diante do mundo é de invariável revolta', dizia. Uma revolta que inspira a todos que o conheceram".
 
 
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