O fim do petróleo barato e do mundo que conhecemos
 
Não há substituto para o petróleo barato de se produzir. Artigo de Felipe Coutinho, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)
 
Neste artigo trabalho com as informações da indústria mundial, o investimento em Exploração e Produção (E&P) e a produção agregada desde 1985 para evidenciar o aumento do custo médio de se encontrar e produzir cada barril adicional de petróleo, para então avaliar as consequências para a indústria e a sociedade. A descoberta do pré-sal e a condição relativa do Brasil e da Petrobras, diante da situação internacional aqui descrita, serão tratados em outro artigo. Há 19 anos, em março de 1998, Colin Campbell e Jean Laherrère publicaram seu artigo agora clássico "The End of Cheap Oil", O Fim do Petróleo Barato, na revista Scientific American. Podemos ver agora que as previsões foram corretas. (Campbell & Laherrere, 1998) Em seu artigo de 1998, Colin e Jean também discutiram o petróleo não convencional. Eles escreveram: "Por último, os economistas gostam de salientar que o mundo contém enormes reservas de petróleo não convencional que podem substituir o petróleo convencional assim que o preço subir suficientemente alto para torná-los lucrativos. Não há dúvida de que os recursos são amplos.... Teoricamente, essas reservas de petróleo não convencionais poderiam saciar a sede do mundo de combustíveis líquidos, já que o petróleo convencional passa seu pico de produção. Mas a indústria terá dificuldade em relação ao tempo e ao dinheiro necessário para acelerar rapidamente a produção de petróleo não convencional”. A produção do petróleo não convencional (tight oil e shale gas) dos EUA está atrasando o momento em que a produção global de combustíveis líquidos começa a diminuir. Em 1998, Colin e Jean estimaram o pico de todos os combustíveis líquidos em 2010, mas, ao mesmo tempo, observaram que algumas respostas poderiam atrasar essa data. A lição mais importante que podemos agora tirar do artigo de 1998 é que o mundo foi avisado que os dias do petróleo barato eram contados e que muitas nações que importam grandes quantidades de petróleo deveriam ter ouvido o conselho e respondido de forma mais adequada. (Aleklett, How correct were Colin Campbell and Jean Laherrère when they published “The End of Cheap Oil” in 1998?, 2015) felipe1 A aplicação da tecnologia de faturamento horizontal e a produção do petróleo e gás natural das reservas de folhelho (shale) nos EUA atrasaram a produção máxima de petróleo em cinco anos depois do pico previsto de 2011, ou seja, para 2016. (Aleklett, Fracking (Tight Oil) delays Peak Oil by some years, 2017) felipe2 Kaufman usou a qualidade e a quantidade de fluxos de energia para interpretar mudanças econômicas, sociais e políticas nos EUA e na antiga União Soviética. Os sucessos econômicos da ex-União Soviética e dos EUA refletem um abundante suprimento de energia de alta qualidade. Esta abundância terminou na década de 1970 nos EUA e na década de 1980 na antiga União Soviética. Nos EUA, o fim do petróleo barato causou a estagnação da produtividade do trabalho, o que interrompeu o crescimento contínuo dos salários e dos rendimentos familiares. Para preservar o sonho americano, segundo o qual cada geração viverá melhor do que a precedente, as mulheres entraram na força de trabalho, a renda foi transferida da poupança para o consumo, a economia dos EUA mudou de credora líquida para devedora e as dívidas das famílias, das corporações e do governo federal dispararam felipe3 Apesar dos esforços para ocultar os efeitos da renda (salarial), o fim do petróleo barato também é responsável pelo aumento da desigualdade. Na antiga URSS, o fim de abundantes fontes de energia significou que a alocação do superávit de energia entre a economia doméstica, as exportações subsidiadas para a Europa Oriental e as vendas, em troca de moeda forte para o Ocidente, tornaram-se um jogo de soma zero. Isso contribuiu para o colapso da aliança do Conselho de Assistência Econômica Mútua (CMEA) e da antiga URSS. Se os EUA puderem se livrar da dívida pessoal e governamental, resolver as preocupações sociais e políticas sobre a desigualdade é o próximo grande desafio colocado pelo fim do petróleo barato. (Kaufmann, 2014) Então vamos aos dados, meu objetivo agora é verificar a hipótese de que cada barril adicional de petróleo, em média, tem sido mais caro de se produzir. O gráfico a seguir apresenta a produção de petróleo e o investimento em Exploração e Produção (E&P), anuais e agregados em termos mundiais. (Barclay’s E&P Spending Outlook, 2016) (EIA, Acessado em 2/9/17) (BP, 2017) (US Inflation Calculator, Acessado em 2/9/17) Felipe4 De 1985 a 2002 os investimentos agregados da indústria, em E&P, variaram entre 100 e um pouco mais de 200 bilhões de US$, em preços corrigidos pela inflação para 2016. Neste período, a produção se elevou de 56 para 67 milhões de barris de petróleo por dia (Mbbl/d), cerca de 20% em novos barris foram adicionados. De 2002 a 2016 os investimentos variaram entre 200 e 630 bilhões de US$. A produção foi elevada de 67 para 80 Mbbl/d, os mesmos 20% em novos barris de petróleo foram obtidos, mas desta vez com investimentos muito maiores. O investimento total entre 1985 e 2002 foi de 2,8 bilhões de US$, enquanto entre 2002 e 2016 foi de 6,4 bi. A elevação do investimento agregado de 130% para obter os mesmos 20% de novos barris de petróleo adicionados à produção se comparamos 1985-2002 com 2002-2016. O gráfico seguinte apresenta a relação entre o investimento anual em E&P e a produção do petróleo, expressa em dólares de 2016 investidos por barril produzido por dia. felipe5 O gráfico acima revela a tendência de elevação do custo médio de produção do petróleo. A seguir apresento as médias para os períodos de 1985 a 2002 e de 2002 a 2016. felipe6 É preciso avaliar com mais detalhes os dados históricos e suas projeções porque trato da hipótese da elevação do custo da produção do petróleo adicional, trato daquela energia incremental que se relaciona com o crescimento econômico e com a potencial melhora nas condições de desenvolvimento humano. (Coutinho, 2017) Precisamos então ponderar os investimentos em E&P e a elevação da produção de petróleo mundial. Os investimentos também são necessários para descobrir e produzir o petróleo para compensar a queda na produção dos campos maduros. Entre os investimentos em E&P e a produção existe um intervalo de tempo. O intervalo pode ser considerado a partir do início das atividades de exploração que incluem atividades sísmicas e poços pioneiros para descobrir e delinear as novas descobertas. Esta estimativa implica que o intervalo médio entre o início do investimento na procura do petróleo e sua produção é de 12 anos. (Bornsteiny, Krusellz, & Rebelo, 2017) No entanto, a maior parcela dos investimentos acontece depois da descoberta, com o início das atividades de desenvolvimento da produção. Sendo assim, o intervalo entre a descoberta e o início da produção é mais curto. O intervalo típico entre descoberta e produção inicial de petróleo é de 5 anos. As descobertas de petróleo em campos gigantes não se traduzem imediatamente em produção. Em vez disso, há uma explosão inicial de investimentos no campo de petróleo por vários anos e a produção normalmente começa com um atraso substancial de 4 a 6 anos, em média, seguindo a descoberta. (Arezki, Ramey, & Sheng, 2015) Para testar a hipótese da elevação do custo médio de se encontrar e produzir o petróleo adicional, em termos médios e mundiais, classifico os dados históricos em três períodos desde 1985, com a redução do tempo médio entre descoberta e a produção de 6 para 4 anos. A abordagem me parece razoável diante do desenvolvimento tecnológico no período estudado e da entrada em produção de volumes significativos do petróleo “tight” que requer menor intervalo entre a descoberta e a produção. A tabela seguinte resume os resultados. felipe7 Os resultados confirmam a hipótese testada, os investimentos entre 2001 e 2012 que resultaram no aumento da produção entre 2005 e 2016 foram de 672 mil US$ para cada barril adicionado, enquanto entre 1985 e 1995 foram necessários 188 mil US$ para cada barril adicionado em seis anos, de 1991 a 2001. O custo de se encontrar e produzir um barril adicional de petróleo se multiplicou em 3,6 vezes desde 1985. Consequências econômicas e sociais do fim do petróleo adicional barato de se encontrar e produzir A energia é fundamental na produção e no transporte de mercadorias e pessoas. Também é imprescindível para as comunicações, a produção e distribuição de alimentos. A energia barata possibilita o aumento da produtividade do trabalho humano, o crescimento econômico e o desenvolvimento em termos de bem-estar social. Não há substituto para o petróleo barato, o “tight oil”, os biocombustíveis e as energias primárias para a produção de energia elétrica intermitente, solar e eólica, não fornecem energia abundante, confiável, flexível e barata para a economia, em resumo, não têm a mesma qualidade do petróleo barato de se produzir que, como demonstrado, em termos médios e mundiais, acabou. Precisamos estar atentos à possibilidade de que a energia fotovoltaica (solar) e a maioria da energia eólica possam ser sumidouros de energia, em vez de fontes de energia verdadeiras. As duas características das fontes de energia líquida verdadeira para a sociedade são (1) poder fornecer energia de forma econômica, e (2) ser capaz de fornecer receitas fiscais para apoiar o governo. Quando efetivamente integrada na rede elétrica, a eletricidade gerada pelo vento ou pela energia solar geralmente dependem de subsídios - o contrário de fornecer receitas fiscais. Os custos totais tendem a ser elevados devido a muitas questões imprevistas, incluindo a localização incorreta, os custos de transporte de longa distância e os custos associados à mitigação da intermitência. (Tverberg, 2016) Hoje enfrentamos o esgotamento avançado do petróleo, um recurso vital. Isso é demonstrando com sintomas característicos: produção declinante ou estagnada, aumento do preço, diminuição da qualidade e feroz concorrência pelas reservas remanescentes. O petróleo está exibindo sintomas típicos do último estágio de esgotamento. Determinar o estado de depleção de um recurso é, no entanto, não apenas uma questão de determinar o quanto resta do recurso em reservas. Os britânicos ainda estão, sem dúvida, caminhando sobre enormes depósitos de carvão. O estado de esgotamento de um recurso tem a ver com a eficiência através da qual pode ser extraído e usado, assim como com a quantidade do recurso restante no subsolo. Para definir o estado de depleção do petróleo, é necessário olhar para a eficiência com a qual o petróleo bruto pode ser extraído, processado e usado. Portanto, é necessário compreender por que o petróleo é produzido, e então analisar todo o processo de produção; não apenas a parte de extração. Podemos definir isso como determinante de "aptidão para uso". Para definir o estado de depleção do petróleo bruto, primeiro devemos determinar a quantidade que é "adequada para uso". Estimativas otimistas colocam o montante mundial inicial de petróleo em 4,3 trilhões de barris, dos quais 1,29 trilhões foram extraídos. Se a quantidade fosse o único critério de utilidade, haveria poucas questões quanto à disponibilidade de suprimentos futuros; haveria, obviamente, vários séculos de petróleo potencial restante. Os estudos de campo individuais e os custos sempre crescentes da produção de petróleo estão, no entanto, nos informando que algo está mal com o modelo de quantidade rigorosa; já que não consegue incorporar um critério verificável da "aptidão para uso". A maioria dos estudos da produção mundial de petróleo está focada na taxa em que o petróleo bruto é extraído e no volume remanescente a ser removido. Uma vez que o petróleo é usado principalmente como uma fonte de energia para maioria das máquinas de transporte do mundo, a quantidade de óleo disponível para extração seria significativa apenas se, ao longo do tempo, cada unidade produzida fornecesse a mesma quantidade de energia para esse propósito. A Segunda Lei (da termodinâmica) nos informa que não pode ser o caso; de fato, cada barril de petróleo, em média, exige mais energia para extrair e processar do que o barril que veio antes dele. Este é uma regra inviolável da Segunda Lei. Uma vez que a exergia específica de uma unidade de petróleo é, e sempre foi a mesma, menos e menos consumo de energia por unidade continua a ser disponibilizado para o consumidor final. A "aptidão para uso" de petróleo bruto deve também depender de variáveis relacionadas à sua capacidade de fornecimento (líquido) de energia. (The Hills Group, 2015) Outro sintoma do fim do petróleo barato de se produzir é o comportamento dos preços. Enquanto escrevo o preço varia em torno de 55 dólares por barril do petróleo do tipo Brent. Se comparado com os preços acima dos 100 dólares, do período de janeiro de 2011 a agosto de 2014, parece baixo. Já se comparado ao período de 1900 a 2000, em dólares corrigidos pela inflação, o preço de 55 dólares é alto. De 1900 a 1973, o preço oscilou em torno dos 20 dólares. Depois dos choques do petróleo, de 1985 até 2000, os preços oscilaram entre 20 e 40 dólares (preços corrigidos para 2014). Para avaliar se os preços estão altos ou baixos é necessário entender que os impactos são desiguais para os diferentes agentes econômicos. Podem estar baixos para a indústria do petróleo, mas altos para os consumidores assalariados. Esta é a hipótese que considero a mais provável quando observo que a economia mundial segue estagnada, ou em recessão, apesar da forte queda dos preços há três anos. Enquanto a indústria se endivida a níveis sem precedentes para arcar com os elevados custos de exploração e produção. O fim do petróleo barato de se produzir é o responsável por este fato novo, o preço que não funciona para produtores e consumidores. Ou atende aos primeiros, ou serve aos últimos, ou pior, está ruim para os dois. (Coutinho, O preço do petróleo e o sinal dos tempos, 2016) A maior multinacional privada, a EXXON, viu seu ROA (retorno sobre ativos) diminuir em 65% nos últimos quatro anos. Caiu de 13,45% para 4,8%. O declínio pelo retorno de seus ativos caiu junto com o preço do petróleo; que foi de US$ 94,05 em 2012 para US $ 48,67 em 2015. Se segue essa tendência, seu ROA atingirá zero em cerca de US$ 30. Durante os primeiros 10 meses de 2016, o preço do petróleo WTI (West Texas Crude Oil) foi de US $ 39,40. Em um ROA de zero, seus acionistas não verão nenhum benefício de seu investimento; exceto talvez pelo valor da sucata da empresa. O The Hills Group tem alertado que o preço máximo que o consumidor pode pagar pelo petróleo está em queda e essa seria a tendência para seus preços. (The Hills Group, 2016) Somente o petróleo que é acessível ao consumidor final tem valor como mercadoria. A maior parte dos recursos petrolíferos do mundo fica fora desse nível de acessibilidade. O petróleo bruto acessível é a subclasse de hidrocarbonetos líquidos que pode produzir mais energia do que é necessário para extrair, processar e distribuir. Constitui aproximadamente 40% de todo o hidrocarboneto líquido encontrado na crosta terrestre. É a única subclasse de hidrocarbonetos líquidos que produz um valor maior do que o necessário para produzi-lo. Isso resulta de seu muito alto estado entrópico inicial. À medida que a entropia é transferida para fora do reservatório com seu fluxo de massa associado, a entropia da reserva cai e a entropia do ambiente aumenta. Quando os dois estão em equilíbrio, o reservatório atinge o estado morto. Para determinar o intervalo de acessibilidade, primeiro observa-se que o preço de uma unidade de petróleo não pode exceder o valor da atividade econômica que a energia fornecida ao consumidor final pode gerar. Exceder esse valor implicaria que o valor do petróleo para a economia teria efeito neutro; seu uso não aumentaria o PIB em mais do que seu custo. Esta técnica analítica não nega a premissa econômica da oferta e demanda, ela a supera. Os produtores devem receber um preço que seja pelo menos igual ao seu custo de produção, e os consumidores não podem pagar mais do que o valor da atividade economia que ele pode gerar. Quando os custos de produção excedem o que o consumidor final pode pagar, a produção é reduzida e, eventualmente, cessa. O esgotamento de petróleo é avançado, e sua produção diminuirá mais rapidamente do que é geralmente assumido. Os métodos convencionais de avaliação do reservatório são baseados nas premissas da Primeira Lei (da termodinâmica), mas negligenciam os efeitos da Segunda Lei. Embora extremamente aplicáveis à análise de campos individuais, quando aplicados ao status da reserva mundial de petróleo produzem resultados inconsistentes. Em consequência, os últimos 25% das reservas de suprimento de petróleo mundiais será ordens de grandeza mais dispendiosa para se produzir do que os primeiros 25%. O esgotamento avançado da reserva mundial de petróleo pode levar a mudanças de uma magnitude não experimentada. (The Hills Group, 2015) A quantidade de petróleo (ou para esse assunto, qualquer outro recurso) não é uma quantidade fixa. Se o preço pode ser elevado para um nível muito alto, a quantidade que pode ser extraída também tende a aumentar - de fato, um incremento bem grande. A armadilha é que os salários para a grande maioria dos trabalhadores não aumentam ao mesmo tempo. Como resultado, os preços dos bens fabricados com petróleo caro logo se tornam muito altos para que os trabalhadores possam pagar, e a economia cai em recessão. O resultado é o preço abaixo do custo de produção. Assim, o limite de fornecimento de petróleo não é a quantidade no subsolo; em vez disso, é quanto os preços altos do petróleo podem aumentar, sem causar uma recessão séria. Enquanto os salários não aumentam com a elevação dos preços do petróleo, o aumento da dívida pode ser usado para esconder o problema, pelo menos temporariamente. Por exemplo, carros e casas tornam-se menos acessíveis com preços mais altos do petróleo, já que o petróleo é usado para fabricá-los. Se os governos podem diminuir as taxas de juros, os pagamentos mensais para novas casas e carros podem ser reduzidos o suficiente para que as vendas de carros e casas novas não caiam muito. Eventualmente, este encobrimento atinge limites. Isso acontece quando as taxas de juros começam a ficar negativas, como estão agora em algumas partes do mundo. (Tverberg, 2016) A combinação de uma economia global cujo crescimento é mantido apenas por montantes exponencialmente crescentes de dívida (que nunca poderá ser quitada) e o rápido declínio da energia líquida do petróleo está nos levando inevitavelmente a um colapso do sistema econômico e energético dentro dos próximos cinco anos. (Clarke, 2016) Não devemos nos surpreender se os problemas financeiros que o mundo está encontrando acabem por se resolver mal. Essa parece ser a forma como a história do Pico do Petróleo finalmente se desenrolará. Sem aumento da energia per capita, a economia mundial tende a encolher. Sem crescimento econômico, torna-se muito difícil quitar dívidas com juros. A disparidade de riqueza torna-se cada vez mais um problema, e fica cada vez mais difícil para os governos coletar impostos suficientes para suportar suas necessidades. Nossos problemas começam a parecer cada vez mais com aqueles de economias ancestrais que atingiram os limites dos recursos e, eventualmente, entraram em colapso. (Tverberg, 2016) O Brasil precisa se preparar e planejar sua segurança energética, alimentar e financeira diante do cenário de crise iminente do suprimento energético global e da crise financeira que irá eclodir na sequência da longa depressão iniciada em 2007. O gatilho da próxima crise pode ser o endividamento das corporações ou dos Estados Nacionais do centro do capitalismo, EUA ou Europa. Não se pode sustentar dívidas, nacionais e corporativas, crescentes sem o crescimento proporcional das economias nacionais e da geração de caixa das empresas. Ocorre que sem energia barata, de se produzir e consumir, não há crescimento que seja sustentado, aumento da produtividade do trabalho ou desenvolvimento de padrões de bem-estar em economias de mercado cujas principais decisões visam ao lucro e a acumulação privada do produto social do trabalho. Garantir a propriedade estatal do petróleo brasileiro, produzi-lo na velocidade requerida para atender a nossa economia, preservar a integridade corporativa da Petrobras, reverter o atual ciclo de privatizações, controlar os fluxos especulativos de capital, realizar a auditoria da dívida pública brasileira, reduzir a taxa de juros da dívida federal para níveis compatíveis com os internacionais, são medidas necessárias para fortalecer a economia brasileira diante das crises financeira e energética que se formam e ameaçam a economia mundial. Felipe Coutinho é presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) Em setembro de 2017 Referências Aleklett, K. (2015). How correct were Colin Campbell and Jean Laherrère when they published “The End of Cheap Oil” in 1998? Fonte: Aleklett's Energy Mix: https://aleklett.wordpress.com/2015/02/26/how-correct-were-colin-campbel... Aleklett, K. (2017). Fracking (Tight Oil) delays Peak Oil by some years. Fonte: Aleklett's Energy Mix: https://aleklett.wordpress.com/2017/04/16/fracking-tight-oil-forskjuter-... Arezki, R., Ramey, V. A., & Sheng, L. (2015). IMF Working Paper News Shocks in Open Economies: Evidence from Giant Oil Discoveries. FMI. Fonte: https://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2015/wp15209.pdf Barclay’s E&P Spending Outlook. (2016). E&P CapEx: First Double Dip Since ‘86. Fonte: Oil & Gas 360: https://www.oilandgas360.com/ep-capex-first-double-dip-since-86/ Bornsteiny, G., Krusellz, P., & Rebelo, S. (2017). Lags, Costs and Shocks: An equilibrium model of the oil industry. Fonte: http://www.kellogg.northwestern.edu/faculty/rebelo/htm/oil.pdf BP. (2017). 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