Novo resgate à Grécia pode ser de 100 mil milhões
 
Segundo a revista alemã Der Spiegel, um ano depois do resgate nada deu certo, a Grécia precisa de mais dinheiro e as medidas de austeridade extrema “deixaram de ser realistas”. Simulações de especialistas mostram que mesmo cumprido o plano, a dívida continuará a aumentar.
 

O novo empréstimo à Grécia pode chegar aos 100 mil milhões de euros, mais que os 60 mil milhões inicialmente anunciados, diz a revista alemã Der Spiegel num artigo publicado esta segunda-feira. Há um ano, foi posto em prática um plano de violenta austeridade, como contrapartida a um empréstimo de 110 mil milhões de euros, mas a dívida não pára de aumentar e o país demonstra-se incapaz de cumprir as metas estabelecidas pelas instituições internacionais. O artigo diz que a economia grega está a encolher e o plano de privatizações recentemente anunciado é ilusório.

De acordo com a revista, “as medidas necessárias exigiriam sacrifícios extremos do povo grego”, dizem os representantes da troika que estiveram recentemente em Atenas, mas “esses passos deixaram de ser realistas. Em resumo, concluiu a troika, a Grécia precisa de um novo programa que lhe dê mais tempo e mais dinheiro para resolver os seus problemas”.

O novo plano, porém, encontra um grande obstáculo na Alemanha, que só concorda com ele se houver um envolvimento e participação de credores privados, que assumam uma boa parte do novo empréstimo. Sem isso, disse o representante alemão, o parlamento do seu país não vai aprovar o plano.

Dúvidas (e dívidas) crescentes

Porém, diz o artigo, “há dúvidas crescentes de que a Grécia possa reabilitar-se apenas com medidas de austeridade, e se o drástico tratamento prescrito irá verdadeiramente curar o paciente ou tornar as condições ainda piores”.

A revista cita os protestos contra a austeridade, manifestantes a cuspir sobre os deputados gregos, políticos apedrejados na ilha de Corfu. Mas cita também o cepticismo de especialistas. Como o economista Yanis Varoufakis, que considera as exigências da UE e do FMI são um “novo Tratado de Versalhes”. O Tratado de Versalhes foi assinado pelas potências europeias e pôs fim à Primeira Guerra Mundial. Determinava que a Alemanha aceitasse todas as responsabilidades por causar a guerra e pagasse reparações humilhantes, que incluíam a perda de uma parte de seu território, de todas as colónias, uma restrição ao tamanho do exército e uma indemnização pelos prejuízos causados durante a guerra. O tratado causou choque e humilhação na população, o que contribuiu para a queda da República de Weimar em 1933 e a ascensão do nazismo.

Na Grécia de hoje, cita a revista alemã, foram perdidos mais de 200 mil empregos no ano passado. “Cidadãos de classe média fazem fila para receber um prato de sopa”. As pessoas, descreve o artigo, estão a sair da capital para lugares mais baratos ou para trabalhar como camponeses na terra das suas famílias. Os gregos estão também a recorrer às suas poupanças, ou porque precisam de dinheiro ou para pôr os seus euros em lugares seguros. Os depósitos nos bancos privados já caíram cerca de 31 mil milhões de euros.

Yanis Varoufakis, cita a Der Spiegel, “fez uma simulação para ver o que acontecerá se o país tiver de prosseguir o curso actual das medidas de austeridade. Concluiu que mesmo que a Grécia cumpra todas as exigências e os objectivos da privatização, e a recessão termine, a montanha de dívida do país vai continuar a crescer. Seria mais do dobro do rendimento nacional em 2020, o que significa que um default [suspensão do pagamento] estaria praticamente 'garantido'.”

 
 
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