Eurodeputados querem ONG "contra lobbysta" dos mercados financeiros
Encontra-se disponível para subscrição um apelo promovido por vários eurodeputados para a criação de uma ONG capaz de supervisionar as actividades financeiras, e que então funcione como uma "contra lobbysta" dos mercados financeiros.

Entre os signatários-promotores da iniciativa 'Finace Watch Call', oriundos de diferentes famílias políticas, encontra-se também o eurodeputado do Bloco de Esquerda Miguel Portas.

No apelo, os eurodeputados referem que todos os dias são pressionados pela indústria financeira e bancária no sentido de influenciar as leis que as regem, algo que não seria “extraordinário” se estas empresas tornassem conhecidos os seus pontos de vista e tivessem discussões regulares com os legisladores.

Segundo os signatários do apelo, a assimetria entre o poder desta actividade de lobbying e a falta de uma contra-representação constitui um perigo para a democracia.

O apelo sublinha que noutras áreas, como a do meio-ambiente ou a saúde pública, várias organizações não-governamentais (ONG) têm-se especializado como um contra-ponto fundamental ao das corporações, e o mesmo acontece quando se trata de políticas sociais e de relações industriais, onde a voz dos empregadores, é contrabalançada pela dos sindicatos.

“Estas disputas permitem aos eleitos ouvir diferentes e opostos argumentos”, lembram os eurodeputados. Mas quando se trata de finanças, este não é o caso, “nem os sindicatos nem as ONG's desenvolveram capacidades de representação para fazer frente à Banca”.

O apelo vem no sentido de responder a esta “falta de contra-poder na sociedade civil”, uma assimetria que os eurodeputados julgam constituir um greve perigo para a democracia, ainda que considerem que esta situação não os impede de desenvolver políticas aprofundadas e independentes da indústria.

O problema é que “esta assimetria existe num contexto de grande proximidade entre as elites políticas e financeiras”, alertam, exemplificando com a situação nos EUA, onde a agência financeira Goldman Sachs é bastante próxima do governo.

Na Europa, esta proximidade contribuiu para uma atenção unilateral aos argumentos do sector financeiro, o que certamente dificultou a capacidade dos políticos para tomar decisões livres de influências, refere também o apelo. “Quando isso acontece, a falta de uma resposta política adequada para a crise do sistema financeiro pode alimentar qualquer forma de populismo, baseada mais na emoção do que na razão”, lê-se no documento.

O 'Finance Watch Call' reclama a criação de uma (ou mais) ONG capaz de desenvolver um contra-poder sobre as actividades realizadas nos mercados financeiros pelos grandes operadores (bancos, seguradoras, etc.), e para transmitir eficazmente esta análise à imprensa. 

O apelo poderá ser subscrito aqui, “por todos os interessados”.

 
 
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