Sigilo rompido em NY: US$ do Banestado no Israeli Bank
Novo escândalo financeiro: o Israeli Discount Bank foi obrigado a quebrar o sigilo de contas bancárias de brasileiros em sua agência de Nova York, localizada no elegante endereço 511, Quinta Avenida. O rompimento deu-se após acordo entre os EUA e o Brasil.

 Sigilo rompido em NY: US$ do Banestado no Israeli Bank
          Postado em 24 de novembro de 2010, quarta-feira.


Novo escândalo financeiro: o Israeli Discount Bank foi obrigado a quebrar o sigilo de contas bancárias de brasileiros em sua agência de Nova York, localizada no elegante endereço 511, Quinta Avenida. O rompimento deu-se após acordo entre os EUA e o Brasil.
Nos cofres do Israeli Bank estavam recursos enviados por 114 brasileiros. Agora todos convocados pela Polícia Federal para explicar sua origem. Segundo revela hoje Mônica Bergamo, na Folha de SP, apenas oito destes 114 brasileiros teriam declarado ao Banco Central ter recursos no exterior, e estariam, portanto, livres de processo por sonegação e evasão de divisas.

Os demais, 104 nababos brasileiros, são do Paraná, de SP, Minas, Rio Grande do Sul. Algumas contas pertenciam a sonegadores e doleiros bem humorados, pois nominadas Timbalada, Cangica, Queijadinha, Gastrite, Fabuloso e Divirta-se. Apesar da graça e do bom humor, a corda vai apertar. Haja bons advogados.
O juiz federal Sérgio Moro, do Paraná, - especializado em crimes contra o sistema financeiro e em combate à lavagem de dinheiro - conduz o caso

A história pode ter raízes no ruidoso escândalo do Banestado, Banco do Estado do Paraná, que descobriu consideráveis somas de brasileiros, vários deles conhecidíssimos, num programa de evasão de divisas.
O relatório final da CPI do Banestado, assinado em 2004 pelo deputado José Mentor, do PT, chegou a pedir 91 indiciamentos de acusados de envolvimento em esquema de envio de remessas ilegais para o exterior.

A investigação no Israeli Discount Bank só começou quando explodiu, em Nova York, o caso Bernard Madoff, que seria um dos sócios de um dos diretores do Israely DB, Sy Syms Merns, cujo verdadeiro nome era Seymour Merinsky, este falecido em 2009.

Com um golpe estimado em 65 bilhões de dólares, Bernard Madoff conseguiu realizar a maior fraude da história de Wall Street.
Condenado pela Justiça dos EUA, cumpre pena de 150 anos de prisão.
Será que aqui, como lá, ainda veremos o castigo dos ímpios?
Já fervem as melhores bancas de advocacia do país, desde Curitiba até SP, BH e Brasília, na preparação de antídotos ao ruidoso rompimento dos 114 sigilos.

Fonte: http://www.margaritasemcensura.com/blog/?p=7601

 

HISTÓRICO PRIVATIZAÇÃO

10 anos após a privatização do Banestado

Ninguém sabe exatamente quando foi que Jaime Lerner decidiu se desfazer do BANESTADO.

O que sabemos é que em 19 de dezembro de 1997 a Assembléia Legislativa do Paraná aprovou projeto de Lei do governo estadual prevendo o saneamento do banco.

No final de março de 1998 encerrou-se o prazo para que os estados optassem pelo saneamento. Neste período o governo não se pronunciou uma única vez, nem para a imprensa ou para a Assembléia Legislativa.

Mas a sangria do banco já estava em curso.


Pela boca do então secretário da Fazenda Giovani Gionédis, em longa entrevista ao jornal Gazeta Mercantil do dia 09 de março de 1998 os paranaenses souberam que o banco não tinha liquidez, tinha problemas financeiros. Na mesma reportagem ele afirmou que o banco não seria privatizado, afirmação essa que Lerner também havia feito aos funcionários. No dia 31 de março daquele ano, o governador assinou, em Brasília o acordo de saneamento e privatização.


Funcionários ocuparam galerias da A.L. contra a privatização 

Em 22 de junho de 1998 os secretários de Lerner, Miguel Salomão e Giovani Gionédis, prestaram esclarecimentos aos deputados estaduais e declararam textualmente que se o projeto de privatização não fosse aprovado o banco sofreria intervenção ou até liquidação. Informações internas davam conta que a imagem do banco ficou bastante arranhada após as declarações do secretário e presidente do Conselho de Administração do Banestado.

Em 20 de agosto de 2000 a Assembléia Legislativa do Paraná rejeitou todas as emendas apresentadas pelo movimento de resistência que previam garantias aos aposentados e empregados do banco.

Em 17 de outubro o banco foi a leilão passando para as mãos da família Setúbal.

funcionários em greve que durou 13 dias  em outubro de 2000

 
A privatização deixou muitas seqüelas para o Paraná, prejuízos que até hoje se refletem no orçamento dos Estado, vou listar apenas os mais significativos:


1) Com a privatização do BANESTADO o Paraná perdeu seu instrumento de fomento e financiamento de políticas públicas. Entre as quais as que se relacionam com a agricultura e a habitação. Para se ter uma idéia, em 1999 o BANESTADO tinha investido R$ 1,1 bilhão em financiamento habitacional e R$ 44,2 milhões na agricultura.

2) O processo de privatização, iniciado em agosto de 1997, cortou cerca de 8.300 empregos diretos e mais outros tantos indiretos que não saberia precisar, composto por funcionários da seguradora, corretora, da limpeza, conservação e segurança. Muitos desses trabalhadores adoeceram e muitos não conseguiram se colocar novamente no mercado de trabalho.


3) A privatização gerou uma dívida aos cofres do Estado do Paraná, que compromete 13% do orçamento anual, ou mais de R$ 800 milhões. Isso porque o governo do estado buscou recursos federais para sanear o banco. Em 1999 o processo contabilizava R$ 1,5 bilhões em ativos irrealizáveis (leia-se créditos inadimplentes de pessoas físicas e jurídicas que nunca iriam pagar o que pegaram emprestado).


4) A apropriação de patrimônio público por parte da iniciativa privada. Além da rede de agências e imóveis, o Itaú ficou com mais de R$ 1,6 bilhões de créditos tributários que pode descontar do imposto que deveria pagar sobre o lucro obtido em anos posteriores.



5) O controle acionário da COPEL corre risco, pois o governo do estado usou as ações da Companhia como garantia na compra de títulos públicos de municípios (Osasco e Guarulhos) e estados falidos (Pernambuco, Alagoas e Santa Catarina), cujas irregularidades ficaram comprovadas na CPI dos precatórios realizada pelo Senado Federal. Caso o governo não pague, o Itaú poderá se apropriar também da COPEL.





A pergunta que se faz hoje é se poderíamos ter evitado tal privatização



A única saída teria sido uma grande mobilização popular, que não aconteceu. Isso porque a bancada Lernista da Assembléia Legislativa era maioria e estava totalmente a favor da entrega do banco.

O Poder Judiciário não acatou nenhuma das ações propostas contra a venda. Os bancos estaduais tiveram muitas dificuldades em atuar devido a hostilidade do Banco Central, o quadro político ideológico, o consenso da mídia de que os bancos estaduais eram excrescências do passado. A imprensa estava totalmente a favor da privatização, não questionando as ilegalidades do processo, que foram muitas e denunciadas.



Para reverter ou impedir as demissões bastava que o TST – Tribunal Superior do Trabalho, a época presidido por Almir Pazzianoto, tivesse acatado o pedido de que os sindicatos e a Fetec/PR fizeram de se estabelecer um período de estabilidade de emprego.

Acredite se quiser, na audiência, ocorrida em Brasília no dia 18 de outubro de 2000, um dia após o leilão o Ministro foi enfático declarando que “conhecia o Dr. Olavo Setúbal e que conversaria com ele pessoalmente para que não houvesse demissões não sendo necessário colocar isso por escrito” ...



As pessoas que venderam o banco estavam coniventes com o endividamento do Estado.

Pior, colocaram uma pá de cal em cima de muitas operações ilegais feitas por uma gestão temerária. Para isso usaram de expedientes sem nenhuma transparência ou controle, editais direcionados, subavaliação dos imóveis e mesmo dos recursos tecnológicos do banco. O governo Lerner sequer vacilou em endividar o Estado.

Em um país que tivesse um pouco de seriedade, com um poder judiciário comprometido com a preservação do patrimônio público, o que o governo Lerner fez seria tratado como crime.

Duas CPIs (Assembléia e Senado) não responsabilizaram nenhuma autoridade envolvida nas transações suspeitas. Presos foram apenas apenas funcionários do segundo escalão que agiam na remessa de dinheiro ilegal ao exterior, e outras figuras menos expressivas da era lerner.



Hoje, dez anos após o fato ocorrido, também chamo a atenção para o papel irresponsável (pra dizer o mínimo) do Banco Central, então dirigido pelo PSDB. A diretora de fiscalização do BC, Tereza Grossi, que participou de todo o processo de privatização, foi agraciada posteriormente com um assento no Conselho de Administração do Banco Itaú e Pedro Malan, então ministro da Fazenda e controlador da CVM também recebeu como presente um cargo no Conselho de Administração do Unibanco. Tirem suas próprias conclusões.
 
 
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