Alemanha: 60 mil protestaram contra a energia nuclear
A ameaça de um desastre nuclear em Fukushima, Japão, mobilizou este sábado dezenas de milhares de alemães que saíram às ruas para protestar contra a política energética do governo de Merkel.

A coligação de centro-direita da chanceler Angela Merkel aprovou em 2010 o prolongamento da vida útil das centrais nucleares. Segundo notícia do El País, em Baden-Württemberg, cerca de 60 mil manifestantes formaram uma corrente humana entre a central nuclear de Neckarwestheim e Stuttgart, gritando palavras de ordem anti-nuclear e pedindo o encerramento das 17 centrais nucleares. O reactor nuclear de Neckarwestheim é um dos mais antigos ainda em funcionamento na Alemanha.

Perante o que está a acontecer no Japão, um país altamente industrializado que apostou nas centrais atómicas, e luta agora desesperadamente contra uma calamidade de enormes dimensões, a oposição social-democrata, ambientalista e de esquerda na Alemanha voltou a exigir ao governo de centro direita uma rápida renúncia à energia nuclear.

Após os protestos, Merkel veio a público anunciar que o seu Governo irá “rever” a segurança de todas as centrais nucleares na Alemanha e adiantou que “o sucedido num país com altos padrões de segurança” como o Japão, marca “um ponto de viragem em todo o mundo”. Contudo, a chanceler alemã reiterou a defesa do uso da energia atómica como “tecnologia de transição”.

A energia nuclear tem sido impopular na Alemanha desde o desastre de Chernobyl e a recente decisão do governo de Merkel anula parcialmente uma decisão do governo anterior. Em 2000, o governo de Schroeder (coligação anterior entre sociais-democratas [SPD] e Verdes) aprovou um plano de encerramento progressivo das centrais nucleares alemãs, que culminaria em 2022, com o encerramento da última central, deixando a Alemanha de ter centrais nucleares.

O actual governo conservador de Angela Merkel revogou esse plano, em Setembro do ano passado, prolongando a vida das centrais nucleares e adiando o encerramento da última de 2022 para 2034. Em média, as centrais nucleares prolongarão o seu funcionamento até 12 anos.

Esta tem sido uma das medidas mais controversas tomadas por Merkel nos seus seis anos como Chanceler.

Agora, a catástrofe nuclear no Japão colocou a política nuclear alemã no centro das atenções da campanha eleitoral para as estaduais em Baden-Wuerttemberg, dentro de duas semanas, onde a Chanceler pode jogar o seu futuro político.
 

 
 
ver todos os editoriais