UE e França ainda não tomaram posição sobre assalto israelita a barco francês
As autoridades francesas e da União Europeia não tomaram ainda qualquer posição pública perante o assalto de que foi vítima esta terça-feira o barco francês Dignité al-Karama ao largo do território palestiniano de Gaza, cometido por uma unidade de comandos israelitas

A embarcação, com 16 pessoas e bordo e que integrou o movimento Flotilha da Liberdade 2, foi desviada para o porto israelita de Ashdod, onde os passageiros ficaram sob custódia policial às ordens dos serviços de imigração.

O Dignité al-Karama foi o único barco da Flotilha da Liberdade que quebrou o boicote imposto pelas autoridades gregas sob instruções de Israel, declarando no sábado como destino o porto de Alexandria, no Egipto.

O barco manteve-se sempre em águas internacionais e a cerca de 50 milhas da costa de Gaza foi interceptado por três navios de guerra israelitas, que solicitaram identificação dos passageiros e a informação sobre se havia armas a bordo, como conta a jornalista israelita Amira Haas, do jornal Haaretz, uma das passageiras da embarcação.

As informações pedidas foram dadas. Não havia armas a bordo, entre os passageiros encontram-se o antigo deputado comunista Jean-Claude Lefort, o navegador Jo Le Guen e membros de tripulações de outros barcos que integravam a Flotilha. O Dignité al-Karama informou também a marinha israelita de que o destino era o porto palestiniano de Gaza.

A marinha israelita respondeu que o barco francês não poderia seguir esse rumo uma vez que Israel mantém bloqueadas as águas de acesso ao território palestiniano. O Dignité al-Karama continuou em direcção ao destino anunciado, uma vez que Israel não tem jurisdição sobre as águas palestinianas, e pouco depois o próprio chefe do Estado Maior das Forças de Defesa de Israel, Sammy Getz, deu ordem de assalto ao pequeno e desarmado iate.

A operação pirata foi cometida, segundo relato dos jornalistas do Haaretz a bordo, pela unidade comando de elite Shayetet 13, que não encontrou resistência a bordo e desviou o Dignité al-Karama para o porto israelita de Ashdod.

De acordo com os relatos obtidos, não houve violência sobre os passageiros, que terão recebido água e alimentos das forças assaltantes.

A União Europeia e os Estados membros, sobretudo os directamente envolvidos, têm mantido um pesado silêncio perante os actos de repressão, intimidação e proibição ilegítima da liberdade de circulação cometidos por Israel contra cidadãos europeus. As acções incidem sobre passageiros de navios e também sobre cidadãos que são impedidos de entrar em Israel para se deslocar aos territórios palestinianos da Cisjordânia e de Jerusalém Leste.

Além do silêncio, Estados europeus têm instruído as suas autoridades portuárias e aeroportuárias, além de forças de segurança e companhias aéreas, para que impeçam cidadãos europeus de se deslocar a Israel servindo-se para tal de listas fornecidas pelo governo israelita.


Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.

 
 
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