O osso do Derosso
Se colocar um consanguíneo num cargo pago com recursos do erário já e condenável, o que se poderá dizer para quem paga quase R$ 500 mil por mês à parceira? Dispensáveis comentários- Matéria do Jornal Paraná Oline, sobre a denúncias de irregularidades contra o presidente da Câmara Municipal de Curitiba, João Cláudio Derosso.

Amarga um triste período de sua vida o presidente da Câmara Municipal de Curitiba, João Claudio Derosso (PSDB). As acusações de favorecer a empresa de sua mulher com dinheiro da Casa mancharam a imagem de sua família. Seu pai João foi vereador da capital por um largo período de 25 anos sem que nunca tivesse o nome envolvido em supostas ilegalidades. Durante todo o período em que ocupou cargo público, sempre serviu ao povo com muita dedicação. Ele foi um político que trabalhava por amor à causa, quase de forma provinciana. O bairro do Xaxim lhe deve todo o seu crescimento e prosperidade. O trabalho do velho João foi sempre tão respeitado que serviu de alavanca para o filho, sobretudo nas primeiras eleições. Nas campanhas, era o pai que o conduzia na busca pelo voto e acabou por colocá-lo numa cadeira legislativa.  Nos primeiros anos, nada houve que desabonasse o descendente. Agora, porém, com os últimos acontecimentos, ele enterrou o time. Imagine só dar um contrato de R$ 30 milhões para a própria esposa, a jornalista Claudia Queiroz Guedes. Trata-se de dinheiro público. A repulsa da população é tão violenta que se pede a cassação do mandato parlamentar, a devolução dos recursos já pagos e as punições criminais consequentes. O melhor que o vereador tucano poderia fazer nas atuais circunstâncias é afastar-se do comando da Câmara, permitindo assim que se apure todas as denúncias. “Largue o osso, Derosso” era o grito que se ouvia na abertura dos trabalhos do poder legislativo municipal. De fato, é o caminho que lhe resta.

Agito

Em meio à turbulência, a Câmara de Curitiba se movimenta para limpar a sua barra. A bancada oposicionista, comandada pelo vereador Algaci Túlio (PMDB), quer as cópias de contratos e de editais de licitação envolvendo os serviços de publicidade da Casa. O grupo exige ter acesso a dados financeiros que hoje são restritos à mesa diretora.

Nepotismo

Com poucas exceções, os familiares dos ocupantes de cargos públicos servem apenas para atrapalhar. Mesmo aqueles que se comportam bem não raro dão margens a preocupações. Por isso, o correto é mantê-los distantes do poder. Bem que os parentes de Derosso podiam ser menos pretensiosos.

Contas

Se colocar um consanguíneo num cargo pago com recursos do erário já e condenável, o que se poderá dizer para quem paga quase R$ 500 mil por mês à parceira? Dispensáveis comentários. Pior nessa história é que o vereador ainda tem o sogro e a sogra pendurados no dinheiro do povo. Guardadas as diferenças, as mutretagens aqui e acolá na capital federal são semelhantes. São os ricos usufruindo dos miseráveis

 
 
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