As "exemplares" empresas "parceiras" que abocanham nossos lotes nos leilões de áreas petrólíferas
- Chevron, acusada de mentir no Rio, produziu maior desastre ambiental do Equador - A GALP vai responder pela prática de uma contra-ordenação ambiental grave, devido à fuga de combustível ocorrida em finais de Maio num posto de abastecimento no Aeroporto de Lisboa

São Paulo – A Chevron, responsável por um vazamento calculado entre 380 mil e 477 mil litros de óleo na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, acumula em seu currículo o maior desastre ambiental da história do Equador, ocorrido na província amazônica de Sucumbíos ao longo de décadas.

A saga de 30 mil camponeses e indígenas do nordeste equatoriano, narrada na edição 38 da Revista do Brasil, teve início em 1964, quando a Texaco, empresa mais tarde rebatizada de Chevron, conquistou do governo equatoriano uma área de 1 milhão de hectares para a exploração petrolífera. Vinte e oito anos depois, deixou o país tendo retirado 1,7 bilhão de barris. 

O saldo para a população da cidade de Shushufindi foi um passivo ambiental de 18 bilhões de galões de água tóxica, resultado da extração, que deveriam ter sido reinjetados no solo. Um laudo apresentado à Corte de Justiça equatoriana mostrou que, nos últimos 15 anos, a incidência de câncer na região ultrapassa em 2 mil casos a média nacional.

Desde 1993 um grupo trabalha pela responsabilização da Chevron. Como a empresa não tem mais operações no Equador, o processo foi inicialmente apresentado à Corte de Nova York, que tardou dez anos em responder que não tinha competência para tal, atendendo ao desejo da corporação de ser julgada em solo sul-americano.

Conforme conta a Revista do Brasil, "Pablo Fajardo, que em 2003 estava se formando como advogado, assumiu o caso como o primeiro de sua carreira. Antes, esteve ligado à luta pela reparação dos danos. Era estudante de colégio em Shushufindi quando tudo começou. Trabalhou para empreiteiras que prestavam serviço às companhias petroleiras. Uma de suas tarefas era limpar vazamentos. Ao deparar com o que considerou desrespeito social e ambiental, Pablo e seu irmão José inauguraram o Comitê de Direitos Humanos de Shushufindi, que passou a concentrar as reclamações das pessoas prejudicadas pela atividade petroleira".

A Chevron passou a argumentar que, como não tem mais ativos no Equador, não tem como arcar com a indenização solicitada, de 27 bilhões de dólares. A Justiça equatoriana de primeira instância já definiu pela culpa nos vazamentos de petróleo que contaminaram a província de Sucumbíos, embora tenha definido um ressarcimento menor, de 18 bilhões de dólares, o que levou a petrolífera a conseguir em Nova York uma decisão para que a sentença não pudesse ser executada nos Estados Unidos. Em setembro, porém, a Corte de Apelações daquele país derrubou a ação que garantiria a impunidade. 

Leia a íntegra da reportagem Chernobyl Amazônica.

Fonte: Redebrasilatual

 

Chevron não investiu em segurança

A subsidiária brasileira da petrolífera norte-americana Chevron não contava com esquema de segurança para impedir que o vazamento de petróleo no Rio de Janeiro causasse dano ambiental. A informação é do oceanógrafo David Zee, que atua como perito para a Polícia Federal no inquérito sobre o acidente. Ele concedeu entrevista a Oziris Marins, Affonso Ritter e Fernando Albrecht, da Rádio Bandeirantes de Porto Alegre.

“Não houve esforço para investir em situações de acidentes. Não há equipamentos ou treinamento de pessoal. Não havia barreiras de contenção suficientes para conter o óleo”, afirmou o oceanógrafo.

O vazamento do petróleo teve início este mês no Campo de Frade, na Bacia de Campos. Segundo Zee, o acidente não é tão grave quanto o ocorrido no ano passado no Golfo do México, mas serve como advertência.

“A acessibilidade a estas grandes profundidades é muito difícil. As pressões são imensas e as temperaturas adversas. É como uma missão na Lua. Por isso precisamos desenvolver tecnologia para precaução”.

Falhas

O oceanógrafo também afirmou que não havia pessoal treinado para realizar o recolhimento do óleo, uma das primeiras medidas a serem tomadas em caso de vazamento. “Eles não têm investimento para este tipo de coisa”.

Zee explica que este deveria ser um procedimento padrão. “Se eles tivessem recolhido ao menos 50% do óleo, o impacto ambiental seria 50% menor”. Segundo ele, a ANP (Agência Nacional do Petróleo) e o Ibama precisam desenvolver normas para este tipo de situação.

Fonte: http://www.band.com.br/noticias/cidades/noticia/?id=100000470208

 

Aeroporto de Lisboa: GALP responde por danos ambientais

Após uma inspeção realizada no início de Novembro, a Inspeção-Geral do Ambiente concluiu que houve, de facto, contaminação de solos e de águas subterrâneas, causadas por uma fuga de combustível, em Maio, num posto de abastecimento da Galp que serve a TAP.

A GALP vai responder pela prática de uma contra-ordenação ambiental grave, devido à fuga de combustível ocorrida em finais de Maio num posto de abastecimento no Aeroporto de Lisboa, avança a Rádio Renascença. Após uma inspeção realizada no passado dia 8 de Novembro, a Inspeção-Geral do Ambiente concluiu que houve, de facto, contaminação de solos e de águas subterrâneas.

A GALP Energia não deu cumprimento à legislação que prevê a comunicação do acidente, no prazo máximo de 24 horas, à entidade licenciadora. Apenas no início de Novembro foi comunicado o acidente à Direção Geral de Energia e à Câmara de Lisboa - seis meses após o acidente e depois de a Galp ter sido aconselhada a fazê-lo pela Inspeção-Geral de Ambiente.

As sondagens e as análises de terras e de águas subterrâneas feitas em Junho, Setembro e já este mês indicam a existência de indícios de contaminação devido ao derrame de gasóleo, cuja quantidade é desconhecida. Foram já removidas 960 toneladas de terras contaminadas com hidrocarbonetos da área circundante do posto de abastecimento.

A Inspeção-Geral do Ambiente e Ordenamento do Território (IGAOT) considera estarem preenchidos os pressupostos de aplicação do regime jurídico da responsabilidade por danos ambientais, com as subsequentes obrigações para a empresa aí estabelecidas. Também já foram remetidos para a Agência Portuguesa do Ambiente todos os elementos técnicos até à data recolhidos, noticia a Renascença.

A IGAOT sugeriu à GALP que elabore um novo estudo de avaliação da contaminação na zona, para aferir a qualidade da água subterrânea, e uma Análise Quantitativa de Riscos para avaliar os riscos específicos do local para a saúde humana e ecossistemas.

No passado dia 11 de Novembro, o Departamento de Investigação de Ação Penal de Lisboa anunciou ter decidido instaurar um inquérito para apurar se houve crime de poluição na fuga de combustível ocorrida em Maio num posto de abastecimento da Galp no aeroporto da Portela, em Lisboa. Segundo uma informação do DIAP enviada à Lusa, foi instaurado um processo-crime para apurar uma eventual prática do crime de poluição.

 
 
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