Dra. Clair na XXI Conferência Nacional de Advogados: A Economia e as questões de raça e gênero
Dra. Clair explicou que, apesar do eleitorado feminino ser de 52%, tem apenas uma representação de 9% na Câmara, 15% no Senado e 12% em média de deputadas estaduais em todo o país. Os negros representam 8,5 % no Parlamento entre deputados e senadores: “E qual a razão para uma desproporção populacional tão grande entre mulheres e negros e a sua representatividade política?”, perguntou. As causas, segundo ela, concentram-se na discriminação histórica, na dificuldade de acesso ao ensino e mercado de trabalho e na necessidade de um novo modelo eleitoral

            A ex-deputada federal e ex-vereadora curitibana, advogada e Patrona Nacional dos Advogados trabalhistas, Dra. Clair, realizou palestra na XXI Conferência Nacional dos Advogados em Curitiba, no último dia 22.

            Desigualdade - Debatendo a questão de gênero e raça no painel “Mulheres em Movimento”, Dra. Clair fez uma análise da distribuição mundial de renda e os crescentes movimentos em nível internacional de descontentes com os modelos econômicos adotados nos países: “Somos 7 bilhões de pessoas, com 5% de ricos, uma classe média de 29% e os considerados pobres 66%. A maioria dos pobres são mulheres e negros”, afirmou. Por este raciocínio, segundo ela, os governos ao optarem globalmente pelas políticas neoliberais para resolverem os problemas econômicos através de cortes em gastos sociais, redução de salários e aposentadorias, entre outras medidas que afetam as classes média e baixa, acabarão atingindo brutalmente os setores onde a desigualdade já predomina. Segundo ela, no Brasil, apesar da diminuição da pobreza nos últimos anos, principalmente no governo Lula, os índices de concentração de renda são gritantes: “Os 10% mais ricos ficam com 44,5 % do total dos rendimentos do país”. Esta desproporcionalidade na distribuição de renda também se reflete na questão de raça e gênero: “O rendimento médio mensal dos brancos ou amarelos são aproximadamente o dobro do rendimento dos pretos e pardos. E os homens recebem 42% a mais do que as mulheres”.

            Inserção das mulheres e negros na política –  Dra. Clair explicou que, apesar do eleitorado feminino ser de 52%, tem apenas uma representação de 9% na Câmara, 15% no Senado e 12% em média de deputadas estaduais em todo o país.  Os negros representam 8,5 % no Parlamento entre deputados e senadores: “E qual a razão para uma desproporção populacional tão grande entre mulheres e negros e a sua representatividade política?”, perguntou. As causas, segundo ela, concentram-se na discriminação histórica, na dificuldade de acesso ao ensino e mercado de trabalho e na necessidade de um novo modelo eleitoral: “Temos um sistema de cotas, mas o número deveria ser de 50% e não 30%, com mulheres realmente capacitadas para disputarem o pleito eleitoral. Se forem aprovadas as listas partidárias, que fossem alternadas, entre um homem e uma mulher. Outra proposta significativa seria o financiamento público de campanha”. Segundo Dra. Clair, por receberem menos e praticarem “dupla ou tripla” jornada, as mulheres tem dificuldades em inserem-se na política tanto no aspecto social como no econômico: “Geralmente as mulheres não tem compromisso com grandes grupos econômicos que sustentam hoje em dia as eleições. E a maioria destes grupos econômicos é dirigido por homens. Então, em regra, homens apóiam homens que possam depois representar seus interesses políticos e econômicos”, disse.

            Financiamento Público - Defendendo o financiamento público exclusivo de campanha, Dra. Clair entende que deveria ser proibido que pessoas jurídicas financiassem campanhas eleitorais, para que não houvesse comprometimento entre este tipo de financiamento e a busca de possíveis retornos de favorecimentos políticos em exercícios de mandatos: “As políticas afirmativas são importantes, mas não bastam. Precisamos relacionar sempre as questões das políticas afirmativas com a questão da política macroeconômica do país, pois elas impactam diretamente no Orçamento, e sem recursos para as campanhas, não avançaremos nestes aspectos de igualdade de gênero e raça. Para Clair, apesar dos avanços, temos um longo caminho a percorrer em busca da igualdade social: “Somos a 7ª econômica do mundo, mas a nossa Dívida Pública alcança 2,8 trilhões e consome 45% anualmente do Orçamento. Se não resolvemos os problemas estruturais de nossa economia, também não conseguiremos resolver os problemas de desigualdade de gênero e raça”, afirmou.

 
 
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