Dívida Pública: Maiores economias do mundo devem pagar 8 bilhões de dólares em 2012
Só em juros da dívida pública, os países do G7 mais China, Índia, Brasil e Rússia pagarão 700.000 milhões de dólares em 2012. Por Marco Antonio Moreno.

Se à luz do primeiro gráfico a dívida da Itália que se vence este ano lhe parece excessiva, não se preocupe. A dos Estados Unidos (e a do Japão também) é sete vezes maior e não figura neste gráfico porque o distorceria (como se pode ver no segundo gráfico). Os dados foram publicados pela Bloomberg e dão conta que os países do G7 mais China, Índia, Brasil e Rússia, devem pagar em 2012 a nada desprezível soma de 8,3 biliões de dólares, dos quais 700.000 milhões de dólares são só de juros.

O Japão é o país que lidera as obrigações de dívida com 3 biliões de dólares, seguido de muito perto pelos Estados Unidos que têm obrigações de 2,8 biliões de dólares, sem incluir os juros. O problema não é só o pagamento destas obrigações contraídas mas também o aumento do custo do endividamento que estes países deverão enfrentar com as contínuas baixas no rating que as agências de notação Fitch, Moody's e SP fazem. Estas agências ameaçaram esta semana com novos cortes e nem a Alemanha nem a França escapam a este castigo.


Este é o mesmo gráfico que o anterior, mas aqui incluem-se também os Estados Unidos e o Japão. Repare na diferença com o gráfico de cima.

Um ponto a considerar nada de desprezível é que enquanto à banca o dinheiro é emprestado a 0,25% (via Reserva Federal dos EUA) ou 1% anual (via BCE), os governos são castigados com um custo financeiro que pode chegar a 7% como acontece para o caso italiano (da Grécia nem se fala, já que os juros chegam a 50%). Este elevado custo obrigará a refinanciar parte importante da dívida, num momento em que a economia mundial começa uma nova desaceleração. Quando uma economia cresce a 5% ou 6% não é traumático pagar juros de 6% ou 7%. Mas quando se cresce a 1% ou menos todo o crescimento está destinado ao pagamento de juros, o que cria grandes problemas ao financiamento interno.

Até este momento, o Banco Central Europeu nega-se a emprestar dinheiro fresco aos governos e estes devem recorrer à triangulação que lhe oferece o sistema financeiro. O BCE empresta à banca privada a um juro de 1% e é a banca privada que empresta aos governos a 7%. Este elemento de usura que está associado aos empréstimos e ao juro composto é outra demonstração de que para a banca criadora da crise, a crise converteu-se num grande negócio. Como assinala a Bloomberg, os custos do endividamento para os países do G7 aumentaram em 39% criando fortes pressões financeiras e empurrando para a deflação. Além disso, o estrangulamento da liquidez implicará que a palavra “default” ou “suspensão de pagamentos” começará a ser mais frequentemente usada tanto na banca como nos governos.

Artigo publicado por Marco Antonio Moreno em El Blog Salmón, traduzido por Carlos Santos para esquerda.net

 
 
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