Grécia: aumenta ameaça de bancarrota
A imprensa anuncia a Grécia mais perto da bancarrota, após o fracasso de acordo entre os principais partidos políticos, que formam o Governo não eleito, sobre as condições da troika para novo resgate de 130 mil milhões de euros. Esta manhã, as bolsas europeias seguiam em queda, tal como o euro. Sindicatos gregos apelam a uma greve geral para esta terça-feira contra a "morte anunciada".

A troika – BCE, UE e FMI - e os líderes dos partidos da coligação governamental grega - o primeiro-ministro, Lucas Papademos, George Papandreou, Antonis Samaras e George Karatzaferis - não chegaram a acordo sobre novas medidas de austeridade, condição para um novo resgate de 130 mil milhões de euros. As negociações prosseguem esta segunda-feira.

Entretanto, as duas grandes centrais sindicais gregas, Adedy e GSEE, apelaram já a uma greve geral de 24 horas a realizar na terça-feira contra as novas medidas de "rigor financeiro" exigidas pela União Europeia e o FMI. De acordo com o presidente da GSEE, Iannis Panagopoulos, citado pela agência de notícias ANA, as novas medidas "são a 'crónica de uma morte anunciada'. O objetivo é anular os direitos laborais e baixar os salários de 20 por cento para 30 por cento".

A troika "exige mais austeridade do que aquela que o país é capaz de suportar", afirmou o líder da Nova Democracia, Antonis Samaras, este domingo, na residência do primeiro-ministro grego, adiantando que irá "bater-se por impedir isso". Já o líder de extrema-direita, Georges Karatzaferis, sublinhou, por seu turno, que "não queria contribuir para a explosão de uma revolução" ao aceitar as novas medidas exigidas.

O ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, diz que as negociações estão "no fio da navalha".

A imprensa portuguesa e a internacional anunciam que a Grécia se aproximou a passos largos da bancarrota, depois de mais esta tentativa fracassada de acordo entre os principais responsáveis políticos sobre as condições exigidas como contrapartida de uma nova 'ajuda'. Trata-se de evitar a falência do país já em Março, mês em que vencem 14,5 mil milhões de euros em títulos de dívida. Um cenário admitido pelo presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, em declarações à revista alemã 'Der Spiegel', este fim-de-semana.

Num curto comunicado, o gabinete de Papademos informou, segundo as agências noticiosas, que foi possível, contudo, concluir um acordo sobre o quadro das negociações e sobre algumas medidas destinadas a permitir uma redução das despesas públicas, este ano, de 1,5 por cento do PIB (3300 milhões de euros), redução dos custos de produção para relançar a competitividade, formas de assegurar a sustentabilidade do sistema de pensões e um programa de recapitalização dos bancos.

Na mesa estão ainda, por exemplo, as exigências de redução dos salários do sector privado, exigidas pela troika da zona euro e do FMI, para 'melhorar a competitividade'.

Na manhã desta segunda-feira, os principais índices europeus ensaiavam quedas e o euro seguia a regredir 0,68% contra o dólar e o preço do barril de 'brent'. Por cá, os títulos dos bancos são os que mais caem. No PSI 20, o destaque vai para as descidas da EDP (-0,91%), Jerónimo Martins (-1,22%) e Galp (-0,61%).

Fonte: Esquerda net

 
 
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