Celulares: Consumo e custo ambiental
designer Luana Ferreira Santana, 27 anos, troca de aparelho celular três vezes por ano. A sua última aquisição foi o iPhone 4S, da Apple. “Para eu comprar um celular, ele precisa ser bonito, tirar fotos com qualidade, ter uma memória considerável, acesso à internet e ficar conectado às redes sociais”, explica Luana. Quando perguntada se sabia quais os recursos naturais eram utilizados, a resposta foi rápida: “Não faço ideia. Fiquei até curiosa agora, mas não sei não.” Mas afinal de contas, de onde vêm o celular? - Por Rafael Persan, especial para Caros Amigos

O aparelho eletrônico é resultado de uma série de recursos extraídos da natureza. Para produzir componentes do celular como bateria, caixa, circuitos, fios e tela de LCD é necessária a utilização de bens naturais finitos e seus derivados como plástico (derivado do petróleo), cerâmica, cobre, níquel e zinco. Além disso, o processo industrial é longo e exige um alto consumo de energia elétrica, água e combustíveis. Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) indicam que o Brasil terminou o mês de maio de 2012 com quase 255 milhões de celulares ativos. O número é superior à população inteira do País, que atualmente está em torno de 190 milhões. Isso indica haver 1,3 celular ativo para cada brasileiro.

Recursos Naturais

Celular-lixo-i“O problema ambiental não está ligado diretamente ao crescimento populacional, como muitos dizem, mas, sim, ao uso exagerado de recursos naturais”, afirma o geógrafo Wagner Costa Ribeiro. “Até quando conseguiremos manter a ilusão de que é possível produzir eternamente mercadorias que são descartadas com muita facilidade?”, pergunta ele.

Luana também tem MacBook, que adquiriu há mais de dois anos e pretende comprar ainda este ano um iPod e um iMac. “Comprei o celular por capricho, pois queria um aparelho bacana e lindo pra poder sair me exibindo por aí. Nele está tudo de mais moderno que se tem hoje em tecnologia para celular”, afirma. “Então, você passa a se perguntar: 'como sobrevivi sem um iPhone por tanto tempo?'”, brinca a jovem.

Outro problema na produção do celular é o deslocamento, pois a fábrica que produz os componentes não é a mesma que realiza a montagem do aparelho. Depois de montado, ele é embalado e transportado para as empresas que realizam as vendas. Este transporte pode ser por rodovia ou marítimo.

Descartar com consciência

O lixo eletrônico é prejudicial ao meio ambiente. Se ele for descartado num aterro sanitário comum, os metais pesados da bateria e dos demais componentes podem penetrar no solo e chegar até a água dos lençóis freáticos. Outro agravante é quando o lixo eletrônico é queimado, pois o ar e a atmosfera são prejudicados devido à emissão de gases tóxicos.

Atualmente, existem pontos de coleta seletiva especializado em locais como farmácias e bancos, que encaminham o material para os centros de reciclagens especializados.

 


 

Rafael Persan é estudante de jornalismo e participa do Projeto Repórter do Futuro, da Oboré Projetos Especiais de Comunicação e Artes em parceria com Instituto de Estudos Avançados da USP e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

 
 
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