PetroSal
*Por Emanuel Cancella - Tirar o pré-sal da Petrobrás, além da perda da memória técnica é transformá-la numa empresa de papel, é ceder aos eternos inimigos, é desrespeitar a memória de nosso povo!

O governo Lula cedendo aos lobbies no Congresso Nacional das multinacionais do petróleo propõe a criação da Petro-Sal. O novo marco regulatório do petróleo enviado ao Congresso, é um avanço em relação a Lei 9478/97 de FHC mas é tímida em relação a potencialidade das reservas e a oportunidade concreta de resolvermos todas as nossas mazelas sociais.

O pré-sal é o filho prodigo da Petrobrás sua mais importante descoberta e o governo através de argumentos falaciosos o entrega a uma nova empresa, a Petro-Sal. Ao invés de prêmio a Petrobrás, que tem reconhecimento internacional, é castigada pelo governo brasileiro.

Os técnicos da Petrobrás não só desenvolvem tecnologia que nos permite a excelência na exploração de petróleo no mar duas vezes premiada internacionalmente; como desenvolveram tecnologia inexistente no planeta para explorar petróleo no pré-sal e também para sua descoberta. Esses técnicos têm a importância dos País no acompanhamento dos filhos, agem como guardiões. Se não vejamos: Na década de 1970, durante a ditadura militar, no governo Geisel foram estabelecidos os Contratos de Riscos. Mais de 80% das bacias sedimentares brasileiras foram entregues às multinacionais do petróleo, as mesmas que agora, se nós permitirmos, vão abocanhar o petróleo do pré-sal na partilha.

Naquele momento os técnicos da Petrobrás se reuniram com o governo e disseram: “vocês não podem colocar nos Contratos de Riscos a bacia de Campos”. Através de argumentos técnicos, convenceram da retirada e o tempo mostrou que os petroleiros tinham razão.

Na época, a bacia de Campos era uma promessa de grandes reservas de petróleo ainda inexplorada situada na costa brasileira. Resultado: hoje a bacia de Campos responde por mais de 80% da produção de petróleo e gás no Brasil. Diga-se de passagem, durante a vigência dos Contratos de Risco [13 anos] nada significante de petróleo e gás foi descoberto.

No Governo Lula, foram os técnicos da Companhia que pediram a retirada dos 41 blocos do pré-sal do leilão da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustívies) e foram atendidos.

Além de competentes tecnicamente, os petroleiros nunca se calaram diante do interesse nacional. Essa deve ser a grande motivação para a criação da Petro-sal, ou seja, afastar o corpo técnico das grandes decisões do pré-sal.

A Petrobrás e o monopólio estatal do petróleo nasceram nas ruas através do maior movimento cívico que esse País já viu: “O petróleo é nosso!” O suicídio do presidente Getúlio Vargas teve como pano de fundo a Petrobrás e a soberania nacional.

Tirar o pré-sal da Petrobrás, além da perda da memória técnica é transformá-la numa empresa de papel, é ceder aos eternos inimigos, é desrespeitar a memória de nosso povo!

Emanuel Cancella é ex-presidente e atual Secretário Geral do Sindipetro-RJ, Técnico da Petrobrás, funcionário a 34 anos e ex-diretor nacional sindical do Dieese.

19/10/2009

 
 
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