Espanha: adesão à Greve Geral ultrapassa os 80%
Os representantes das centrais UGT, José Javier Cubillo, CCOO, Antonio del Campo, e USO, Ladislao Pérez, já anunciaram que a adesão à Greve Geral ultrapassa os 80% . O protesto em Espanha está a ser acompanhado por um forte contigente policial. Registaram-se várias cargas policiais. Piquete em Madrid - Praça de Espanha. Foto retirada do site da Izquierda Unida
rtigo | 14 Novembro, 2012 - 12:53 Piquete em Madrid - Praça de Espanha. Foto retirada do site da Izquierda Unida. Durante a noite, os líderes da UGT, Cándido Méndez e CCOO, Ignacio Fernández Toxo participaram nos piquetes informativos que tiveram lugar na Porta do Sol e apelaram a uma mobilização em massa contra o "suicídio social e económico" que a política do governo representa. Já de manhã, pelas 10h, os secretários de Organização da CCOO, UGT e USO adiantaram, durante uma conferência de imprensa promovida para o efeito, que a adesão à greve é de mais de 80%, e que ascende a 90% em alguns setores e comunidades. Antonio del Campo, da CCOO, sublinhou, inclusive, que a adesão a esta paralisação é superior à de 29 de março. Segundo os dados apresentados pelos representantes sindicais, a adesão é mais significativa em setores como a indústria química, indústria automóvel, construção, recolha do lixo, transportes e indústria agroalimentar. "A quebra do consumo elétrico em relação ao dia de ontem, ou em comparação com quinta feira da semana passada, é de 20%”, retratando a diminuição da atividade em consequência da Greve, frisou Antonio del Campo. Durante a conferência de imprensa, este sindicalista criticou ainda o governo espanhol por se fazer representar durante a paralisação de hoje pelo Ministério do Interior, e não pelo Ministério do Emprego, como seria natural, dando a entender que a greve é um conflito de ordem pública, e não laboral. Os números da greve No setor industrial madrileno registou-se uma adesão de 100% nas fábricas da Peugeot, Bosch, Iveco, Thyssen Group e John Deere.A produção nas fábricas da Nissan, Opel e Seat na Catalunha também foi interrompida, assim como na Volkswagen Navarra. No turno da noite da Ford em Valência não se apresentou nenhum trabalhador ao serviço. Na fábrica da Seat em Martorell (Barcelona),onde a greve começou pelas 21h45 de quarta feira, os sindicatos calculam que serão fabricados menos 2000 carros durante as 24h deparalisação. Estão apenas 260 trabalhadores, de um total de 13 000, nos estabelecimentos desta fábrica, a cumprir tarefas de manutenção, logística e segurança. Na Nissan de Barcelona, a quebra de produção deve chegar aos 550 veículos. Já na General Motors-Opel em Figueruelas (Zaragoza), só são assegurados os serviços mínimos acordados entre o comité de trabalhadores e a direção da empresa. No setor dos transportes, registou-se uma adesão total no metro de Madrid, 100% nos portos (90% em Bilbao e 50% em Melilla), 90% nos aeroportos, prevendo-se o cancelamento de 700 voos, 90% nos transportes rodoviários, 90% em comboios suburbanos e 95% nos comboios de longa distância. Os quatro pontos de distribuição alimentícia mais importantes do país - Mercamadrid, Mercabarna, Mercasevilla y Mercavalencia - aderiram massivamente à paralisação, conforme adianta a CC OO, que assegura que os trabalhos habituais de carga e descarga não se estão a realizar. No principal mercado abastecedor de Madrid, o Mercamadrid, cerca de 200 trabalhadores receberam as viaturas que entravam nos estabelecimentos com apupos. O Mercazaragoza suspendeu praticamente a sua atividade e registaram-se incidentes nos grandes mercados de Valencia e Granada. Também nos mercados de Barcelona a atividade foi reduzida. A distribuição dos jornais no país caiu mais de 50%, tendo algumas empresas contratado substitutos para a distribuição que estão a chegar com bastante atraso. A greve em Espanha já afectou também a emissão de várias televisões. A Telamadrid, a TV3 e a Canal Sur, têm legendas a explicar que estão a sofrer perturbações no serviço. Em Madrid, uma das principais artérias da cidade está cortada por cerca de 400 manifestantes. Na Catalunha os partidos políticos, com exceção do PP, suspenderam a sua campanha eleitoral. Trinta deputados de vários partidos também já anunciaram que não faltar à sessão de hoje no Congresso espanhol. Para este dia estão agendadas mais de 100 manifestações em Espanha, sendo que algumas delas tiveram lugar logo pela manhã, como em Almería, Cádiz, Córdoba, Jaén, Sevilha, Las Palmas, Albacete, Cuenca, Ciudad Real, Bilbao, San Sebastián, Vitoria, La Coruña, Lugo, Orense, Pontevedra e Pamplona. Greve Geral acompanhada por forte contingente policial O protesto em Espanha está a ser acompanhado por um forte contigente policial, tendo já sido registadas várias cargas policiais. A manifestação da Plataforma de Vítimas de Hipotecas de Múrcia, na qual participam membros da Izquierda Unida de Murcia, invadiu uma agência da Caixa, tendo a polícia investido contra os presentes deixando alguns manifestantes e jornalistas feridos. O Ministério do Interior remeteu instruções precisas às Forças de Segurança do Estado para que tanto a Polícia Nacional como a Guarda Civil se esforcem por “dar cumprimento ao seu mandato constitucional de proteger o livre exercício dos direitos e liberdades e garantir a segurança cidadã”. É ainda assinalado que estas forças de segurança devem atuar para assegurar os serviços mínimos estabelecidos e que devem, nomeadamente, controlar as vias de acesso às zonas industriais para permitir a entrada e saída de trabalhadores que não aderem à greve, “evitando a ação coerciva dos piquetes que utilizem a violência”. O Ministério do Interior insta ainda as forças de segurança a desimpedirem o acesso aos mercados abastecedores e aos grandes centros comerciais e a marcarem a sua presença e atuarem junto do setor dos serviços contra os piquetes “que obrigam, em muitos casos, os proprietários dos pequenos estabelecimentos a encerrá-los”. Segundo o El Mundo, até às 11h já se tinham registado 62 detidos e 34 feridos.
 
 
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