Demografia: uma das formas ocultas do conflito entre Israel e os palestinos
A estimativa demográfica palestina representa um perigo ao projeto sionista do Estado de Israel, idealizado exclusivamente aos judeus. Por Rasem Shaban Bisharat Fonte: Jornal Brasil de Fato
A Nakba de 1948 e o estabelecimento do Estado de Israel dividiram a Palestina histórica em três áreas geográficas: 76% da terra que foi detida pelo Estado de Israel, 22% da Cisjordânia e a Faixa de Gaza, que representa 1,3%(1). Foi durante a Nakba que 78% da população palestina foram deslocados, passando a viver em locais sob o domínio do Estado de Israel, como é o caso da Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Líbano e Síria. Ainda, mais para frente, a guerra de junho de 1967 levou mais palestinos ao deslocamento, dessa vez mais para o leste do Rio Jordão e Egito. Durante o mandato britânico na Palestina houve um processo de aceleramento da imigração judaica para a região, já que antes havia restrições dos turcos (durante o Império Turco Otomano). Foi nesse momento que a proporção de judeus chegou a 30,2% da população total da Palestina em 1948, ao passo que em 1922 (início da imigração) não era mais que 11%. (2) As mudanças demográficas na Palestina favoreceram o Estado de Israel, mas, por outro lado, a nova situação não conseguiu provocar uma mudança no equilíbrio da propriedade da terra, exceto o que foi vendido pelos senhores feudais (não-palestinos), como foi o caso da família libanesa de Moussa Sursock. Assim, a proporção que pertencia aos judeus passou a equivaler a cerca de 8% do território da Palestina histórica em 1948. Assim, apesar da vulnerabilidade diante de dezenas de massacres e deslocamentos forçados que vitimaram dezenas de milhares de palestinos, característica do projeto de limpeza étnica, os palestinos ainda detinham a maioria demográfica. É estimado que até o ano de 2014 o número de residentes palestinos será equivalente ao da população israelense. Essa mesma estimativa prevê que até 2030 os palestinos serão ampla maioria da população. Situação demográfica palestina A população de Israel alcançou o número de 5.9000.000 habitantes no início de 2012, enquanto o número de palestinos chegou a 11.200.000 pessoas no final de 2011. Segundo o Escritório Central Palestino de Estatísticas, em Ramallah, mais da metade do povo palestino vive fora da Palestina, enquanto 4,1 milhões de pessoas vivem na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, e o 1,5 milhão restante vive dentro de Israel. Cerca de 46% dos palestinos continuam vivendo dentro das fronteiras da Palestina histórica, enquanto 42% vivem nos países das fronteiras - Jordânia, Síria e Líbano. Os dados indicaram que 43,6% dos palestinos que vivem nos territórios ocupados são considerados refugiados. (3) Por outro lado, em termos de densidade populacional, as últimas estatísticas revelam que em 2007 a densidade populacional em Israel foi de 389 per capita/km (palestinos e israelenses), enquanto nos territórios palestinos foi de 625 per capita/km (415 na Cisjordânia e 3881 na Faixa de Gaza). O tamanho médio de uma família palestina na Cisjordânia é de 6,5 per capita, enquanto na Faixa de Gaza é de sete per capita, mas o tamanho médio da família palestina na Jordânia é equivalente a 6,2 per capita, 5,5 per capita na Síria, e 4,9 no Líbano. A taxa de crescimento natural dos palestinos atingiu 2,9% e a fertilidade média da mulher palestina é de 3,6 crianças, comparada à 2,6 da mulher israelense (4). A sociedade palestina é bastante jovem, ao contrário da sociedade israelense judaica que envelhece. Assim, 43,8% dos palestinos estão na faixa dos 15 anos de idade (5) e a taxa de envelhecimento (em meados de 2006) atingiu 11,8% na sociedade israelense (com idade superior de 65 anos) e 2,8% no lado palestino. (6) Situação demográfica da cidade de Jerusalém Os palestinos têm sido progressivamente expropriados da cidade de Jerusalém pelo governo de Israel desde 1948. 98 mil cidadãos foram expulsos com o objetivo de fomentar mudanças demográficas em benefício do governo israelense. Estimativas indicaram que a população palestina expulsa da cidade de Jerusalém em 1967 representava 69 mil pessoas, enquanto em 1991 atingiu a marca de 151 mil pessoas, sendo que 120 mil foram sumariamente impedidas de regressar ao santuário. Além disso, Israel tem impedindo a Autoridade Palestina de prestar serviços aos palestinos em Jerusalém, tudo a fim de pressioná-los constantemente a deixaram a cidade. Os altos custos das licenças para a construção (cerca de 25 mil a 30mil dólares), estabelecida por Israel, em Jerusalém têm sido considerados como outra forma de pressão muito eficaz. (7) Ao mesmo tempo, Israel impede a pluralidade de Jerusalém, uma vez que a cidade é ocupada até 300 metros de distância e os assentamentos judaicos ocupam vários quilômetros da cidade, no intuito de mudança do caráter da “terra santa”, uma vez que há o predomínio de um desequilíbrio demográfico entre israelenses e palestinos em Jerusalém. O município israelense de Jerusalém, cuja população total é de 170 mil habitantes, também é separado pelo chamado Muro do Apartheid. Tal empreendimento visa, sobretudo, retirar a identidade de Jerusalém e impor uma identidade eminentemente judaica, com o objetivo real de trazer cerca de dois milhões de colonizadores para Jerusalém. Dessa forma, faz com que a população palestina não exceda em torno de 10% do total populacional. O prefeito israelense de Jerusalém, Nir Barakat, desenvolveu um plano em dezembro de 2011 que visa há curto e médio prazo a completa retirada dos bairros residenciais palestinos da cidade. O plano coincidiu com o anúncio feito pelo Ministro do Interior de Israel, Eli Yishai, que visa a construção de um milhão de unidades habitacionais para abrigar em torno de quatro milhões de colonos até 2020. (8) Sobre essa situação, especificamente, o governo de Israel preparou um plano mestre nº35 para Jerusalém que visa aumentar a população na cidade para um milhão e 60 mil até o ano de 2020, dos quais 663 mil serão israelenses e 397 mil palestinos, e também tem como objetivo desenvolver a cidade para se tornar a capital do Estado de Israel (9). As numerosas ações israelenses contra os cidadãos palestinos na cidade de Jerusalém, além de retirar a identidade da cidade, confiscam terras palestinas (sobretudo, por intermédio da propriedade dos “ausentes") e, sem o “público” palestino, impede o funcionamento das instituições palestinas dentro da cidade. O resultado desta política é mais de 100 mil hectares de faixa de Jerusalém para fora do Muro, o que significa uma ameaça geográfica e demográfica da cidade. O conflito árabe-israelense tem muitas dimensões e a mais importante é a luta pela terra por parte da população palestina. O movimento sionista continua a assumir a maior parte possível da terra palestina, desde os primeiros massacres em 675 aldeias palestinas e a transferência de palestinos que antes viviam dentro das cidades que hoje pertencem ao Estado de Israel. A maioria da população de dentro de Israel (80%) está viva e habita duas regiões: a costa regional de Tel Aviv, área não superior a 8% da área total da Palestina histórica, compreendendo a região norte ao lado de bairros e cidades que ocuparam após a Nakba (que corresponde a 7% da região); 20% da população estão distribuídos no restante do território israelense em Bir Sheva e Sul, enquanto a maior parte das terras localizadas no centro e no sul estão sob administração do exército. Em contrapartida, os palestinos que vivem em Israel estão distribuídos em três grupos principais: no Distrito da Galiléia, onde vivem cerca de 650 mil palestinos, e no distrito sul, onde vivem em torno de 200 mil palestinos e 720 mil israelenses; o restante dos palestinos está distribuído na região central e na costa norte. Teoricamente, Israel não poderia absorver mais de 39% dos judeus do mundo, ao mesmo tempo a condição de declínio numérico dos judeus ao redor do mundo tem ressoado proporcionalmente na Palestina, o que representa um problema existencial para o Estado. Na última década do século passado, Israel conseguiu manter o equilíbrio demográfico e essa repentina vantagem foi estabelecida muito devidamente ao colapso do sistema socialista que levou a dissolução da União Soviética. Evento responsável pela imigração de um milhão de judeus para a Palestina. O perigo real em estabelecer uma elevada percentagem de representação, inclusive entre a chamada “minoria palestina”, fomenta uma transição para um Estado binacional, pois existe uma superioridade numérica real dos palestinos em algumas partes da Palestina histórica, nas cidades e aldeias do norte de Israel, Galiléia e Triângulo. As projeções investigativas indicam que até 2014 a densidade de palestinos aumentará em 35%, isso porque o crescimento vegetativo de palestinos dentro de Israel pode ser considerado o dobro do crescimento dos israelenses. O que significa afirmar que há uma estimativa de diminuição de judeus para os próximos anos, muito embora o Estado incentive a maternidade em todos os meios disponíveis. As políticas públicas de incentivo à natalidade israelense têm sido detectadas desde 1967, muitos documentos históricos, datados de 04 de setembro de 1967, revelaram em seu texto sobre a estimativa de uma “ameaça demográfica palestina” e a necessidade em se desenvolver soluções para lidar com esse risco. Essas soluções referem-se à facilidades econômicas para os cidadãos judeus, em detrimento dos palestinos. Segundo o analista israelense, Tom Segev, muito provavelmente parte dessas deliberações foram excluídas dos arquivos, porém a recomendação de esterilização de jovens cidadãos palestinos de Israel para evitar a gravidez foi incluída na agenda dos representantes dos Partido Religioso Nacional (Hamufdal), como o do Ministro das Religiões, Zairah Hetting, e do Ministro dos Assuntos Sociais, Yossef Burg. Esses mesmos procedimentos foram largamente utilizados sobre a comunidade judaica pelos médicos nazistas na Alemanha. (10) Todos os procedimentos que visam impedir o crescimento e desenvolvimento da população palestina que vive nos territórios ocupados podem ser também considerados incompatíveis aos direitos humanos, são eles: A) O Muro do Apartheid: • O comprimento da parede é de cerca de 730 km e isola uma área total de setecentos e trinta e três quilômetros de territórios palestinos. As autoridades israelenses planejam estender o comprimento do muro em cerca de 200 km para leste, o que significará o isolamento do Vale do Jordão. O empreendimento visa isolar a cidade sagrada de Jerusalém por um cerca de 122 km de comprimento; • O número de residências atingidas pelo muro é superior a 171 conjuntos habitacionais, com uma área estimada de terras confiscadas em torno de 64.783 hectares desde o início de construção, em junho de 2008. A maior parte dessas áreas são concentradas no norte da Cisjordânia, enquanto o território isolado por detrás do Muro gira em torno de 274.607 hectares de terra; • O muro ainda acrescenta uma nova dimensão para as mudanças nas taxas demográficas: 62% do total de habitantes de Israel e 10% dos cidadãos de Jerusalém são forçados a passar por áreas sitiadas pelo Muro em ambos os sentidos quando vão as escolas, hospitais, aos seus trabalhos e às suas demais atividades sociais e recreativas. Além disso, 33% dos palestinos de Jerusalém já mudaram (ao menos uma vez) o endereço de suas residências e aproximadamente 54% dos habitantes mudaram de emprego pela primeira vez após a construção do Muro. Ainda, o Muro separa 20% das famílias palestinas que vivem em seus arredores; • Até meados do ano de 2008, cerca de 3.880 famílias do território palestino foram unilateralmente deslocadas, sendo 27.841 dessas pessoas atingidas diretamente pela construção do Muro, cerca de 498 mil pessoas foram separadas do resto dos territórios palestinos e estão vivendo em 92 cidades e vilas (11). B) Assentamentos e judaização de Jerusalém: • Os dados indicam a existência de 144 assentamentos israelenses na Cisjordânia e as estimativas iniciais indicam que o número de colonos aumentou para mais de meio milhão, principalmente no distrito de Jerusalém, sendo que 54,6% vivem em territórios pertencentes a 42% do território anexado de Jerusalém em 1967; • A política de expansão de territórios tem atingido o setor agrícola, para fins de servir prioritariamente as demandas dos assentamentos, o que resultou na destruição de 1,7 milhão de árvores, incluindo as oliveiras (principal fonte de renda) com mais de 3.500 anos, desde o início do ano de 2000, além da destruição de cerca de 2.854 estufas (12) ; • Com relação às perdas, os empreendimentos já destruíram cerca de 13.237 hectares de área verde, 471 poços de água (e seus equipamentos), 14.310 hectares de cultura agrícola, 15.889 cabeças de ovinos e caprinos, 1.362 cabeças de gado, 1.312.00 aves e 8.508 colmeias de abelhas (13). C) Segmentação das fontes de água palestinas: • O Muro contribuiu para a anexação de terras que detêm fonte aquíferas. A falta de água afeta diretamente a vida e a rotina dos palestinos; • Dados estatísticos indicam que 157 comunidades residenciais palestinas dependem diretamente de poços como fonte alternativa para se obter água, enquanto que 421 áreas residenciais dependem da água da chuva como fonte de água e 398 dependem da compra de tanques de água. Os dados indicam que, até 2008, 88,2% dos palestinos viviam em casas com abastecimento de fonte de água pública (84,2% na Cisjordânia em comparação aos 97% na Faixa de Gaza), a falta de abastecimento nos vilarejos localizados atrás do Muro impediu a prática da agricultura (14). Conclusão: O esperado equilíbrio demográfico tende a ser confirmado até 2014. Estima-se que a quantidade de judeus e palestinos chegará à proporção de 42% de judeus e 58% de palestinos. Essa relação, chamada de zionest, produzida pelo pensador Lieburn, é utilizada para afirmar a possibilidade de outra soluções ao Estado judeu capaz de inserir os palestinos e os blocos de assentamentos nos territórios ocupados. Assim, o projeto do Estado de Israel necessita da inclusão da maioria de “árabes-palestinos” em seu território, juntamente com as devidos direitos e obrigações, o que inclui o serviço militar. Se, por um lado, é muito improvável que algum palestino aceite o Estado de Israel (com essa denominação), por outro, segundo o jornalista israelense Amnon Dankner, a estimativa demográfica palestina representa um perigo ao projeto sionista do Estado de Israel, idealizado exclusivamente aos judeus. O governo sionista esta à procura de opções para superar o problema demográfico, para isso realizou várias conferências sobre o assunto. Uma delas, realizada no ano de 1994, resultou num plano chamado “plano 2020”. Esse projeto, por sua vez, estabelece a transferência de 52% dos judeus do mundo (cerca de 13 milhões) que deveriam migrar para Israel, ao mesmo tempo, mantém forte a comunidade judaica existente nos Estados Unidos, França e Rússia. Em contrapartida, existem várias possibilidades para os palestinos, quais sejam: • O deslocamento, iniciado por um longo período, dando continuidade à política de demolição de casas em grande escala em Jerusalém e no Vale do Jordão, e o realojamento forçado de palestinos em outras localidades; • Fomentar uma nova guerra na região, com o objetivo de atacar o Irã militarmente e, assim, poder usar a demarcação das fronteiras para a criação de novos estados na região, facilitando a transferência de grande parte dos palestinos para fora das fronteiras da Palestina histórica; • A inclusão das regiões da Cisjordânia, que contêm os colonatos, de acordo com os últimos discursos do premiê Benjamin Netanyahu; • Reafirmar a ideia de um Estado judeu que possui como ameaças à sua existência o possível aumento da taxa de natalidade dos palestinos; • Promulgação de leis no Knesset, tendentes a afetar os direitos humanos dos palestinos que vivem dentro de Israel, o que inclui a promulgação de lei que tende a impedir o tradicional “chamado público” às orações das mesquitas e uma lei que visa reafirmar a “lealdade” à bandeira de Israel pelos palestinos que vivem em território israelense. O debate sobre a questão demográfica da Palestina revela que o tema envolve uma crise real para o Estado de Israel, já que incentiva progressivamente a reafirmação pública internacional pelo Estado judeu. O acelerado aumento da natalidade dos palestinos prejudica a teoria histórica sionista de “uma terra sem povo para um povo sem terra”. Nesse passo, a demografia palestina pode ser considerada uma arma eficaz nas mãos dos palestinos contra Israel, porque forçaria o governo sionista a discutir acordos de paz e aceitar, por fim, a solução de dois Estados, com as devidas trocas territoriais. A comunidade internacional, no entanto, deverá se prevenir para que o foco exagerado com relação ao projeto nuclear iraniano não seja utilizado para invadir a Cisjordânia e a Faixa de Gaza e, assim, criar o pretexto da necessidade de uma pátria alternativa para os palestinos como sendo a melhor solução para o desfecho do conflito árabe-israelense. Fontes e referências: 1. Ibraheem, prof. Joseph Kamel. A transição demográfica na Palestina. 2. Badil Centro de Recursos para os direitos dos palestinos e de residência para os Refugiados, Haq Al-Awda Revista. no.23 3. Escritório Central Palestino de Estatísticas, Ramallah, 2011, Israelense centro de estatística 2012 4. Haaretz Israelense jornal, 30/9/1997, 20/4/1999. 5. Kurbaj, Joseph. “Demografia e População Arquivo: Juventude no mundo árabe”. Le Monde Diplomatique, Editions Arabes, junho 2011 6. o Instituto israelense Bogdel - Anuário Estatístico 2007, Instituto de Pesquisa de Política Econômica da Palestina. 7. Hook e Crook. "A política de assentamentos israelenses na Cisjordânia. Julho de 2010, o Centro de Informação Israelense para os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados (B'Tselem). Badil Centro, folha de trabalho submetido ao Conselho de Direitos Humanos em Genebra, a décima sexta sessão: "Jerusalém. A mudança demográfica da política de longa data de transferência da população e do sistema de apartheid e de ocupação colonial e expansão" 8. Jerusalém Israel semanal, 30/03/2012. Rádio Holanda Mundial, 01/05/2012. 9. Eldar, Akiva e Hasson, Nir. Esquema estruturais de Jerusalém unificada. Haaretz Jornal, 28/06/2010. 10. Segev, Tom. Arquivos sessões governo israelense. 09 de abril de 1967. 11. O Centro de Informação Israelense para os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados (B'Tselem), 10/07/2008. 12. Relatório da AFP, 13/08/2008. 13. The gross roots Palestinian anti-apartheid wall campain. www.stopthewall.org. 14. Centro de Imprensa Internacional em Autoridade Geral da Oficina de Informação: as violações israelenses no setor de água - 8/10/2003 15. Maariv Israelense Jornal. 10/4/2001. Rasem Shaban Bisharat é palestino e mestre em História pela Universidade da Jordânia.
 
 
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