OIT: Austeridade levou ao "duplo mergulho" do crescimento e emprego
A agência da ONU estima em mais de 197 milhões de desempregados em 2012, uma subida de quatro milhões após dois anos consecutivos em queda. E aponta a resposta política da austeridade como responsável pela dupla queda do emprego e do crescimento da economia mundial. Relatório 'Tendências do Emprego Global 2013 - Recuperando do Segundo Mergulho do Emprego. Fonte: Esquerda.net
"Enfraquecido por uma procura titubeante, o mercado de trabalho ainda foi atingido pelos programas de austeridade fiscal numa série de países, envolvendo frequententemente cortes diretos no emprego e nos salários", aponta a Organização Internacional do Trabalho (OIT), comparando a resposta política à crise dos últimos dois anos com o biénio anterior. "Longe da resposta anti-cíclica ao início da crise em 2009 e 2010, a reação política passou a ser em muitos casos pró-cíclica em 2011 e 2012, levando ao duplo mergulho que damos conta neste relatório", diz apresentação do Relatório 'Tendências do Emprego Global 2013 - Recuperando do Segundo Mergulho do Emprego'. "A incerteza nas perspetivas económicas e a inadequação da política para a contrariar enfraqueceram a procura, retendo o investimento e a contratação", diz o diretor-geral da OIT, Guy Rider. Para o responsável pela OIT, esta situação "prolongou a queda do mercado laboral em muitos países, reduzindo a criação de emprego e aumentando a duração do desemprego até nalguns países que antes tinham baixas taxas de desemprego". "Os mercados laborais estão outra vez a piorar", avisa o relatório, dando o exemplo deste quinto ano após o eclodir da crise financeira, em que o crescimento económico abrandou e o desemprego voltou a crescer, após dois anos em queda, com destaque para o desemprego jovem. Apesar do crescimento económico "modesto" previsto para 2013, o desemprego global ultrapassará a fasquia dos 200 milhões de pessoas, com 202 milhões em 2013 e 215 milhões em 2014. As economias desenvolvidas concentraram um quarto do aumento do desemprego, com o Sul e Leste asiático e a África Sub-sahariana a sofrerem o maior agravamento. "As regiões que evitaram um maior aumento do desemprego viram piorar a qualidade do emprego e crescer o emprego precário e o número de trabalhadores a viver abaixo ou muito perto da linha de pobreza", acrescenta o relatório. Apelos à União Europeia e ao G-20 A recessão na Europa é apontada como uma das responsáveis pelo fraco desempenho, bem como o abrandamento do crescimento económico chinês, que registou a taxa mais baixa desde 1999. Quanto às perspetivas, a OIT sublinha a incerteza provocada pela "incoerência entre as políticas monetárias e fiscais adotadas nos diferentes países e a abordagem fragmentada aos problemas do setor financeiro e das dívidas soberanas, em particular na zona euro". Uma incerteza que "reforça a tendência das grandes empresas para aumentarem as reservas de tesouraria e o pagarem dividendos em vez de aumentarem a sua capacidade e contratarem novos trabalhadores". Quanto aos números da pobreza de quem trabalha, a OIT diz que a taxa continua a baixar, mas a um ritmo bem inferior ao que se registava antes da crise de 2008. "Atualmente há cerca de 397 milhões de trabalhadores a viver em pobreza extrema e outros 472 milhões não conseguem dar uma resposta regular às suas necessidades básicas. A receita da OIT para a economia mundial recuperar do "duplo mergulho" passa por aumentar o investimento e a criação de emprego, pondo a banca a financiar a economia e em particular as pequenas e médias empresas. A agência da ONU apela à União Europeia e ao G-20 que tomem medidas para evitar a atual situação em que cada país tenta remediar a sua situação à custa de outros, o que "está a acontecer através das reduções de salários e proteção social na Europa". O aumento da formação dos trabalhadores e a urgência de contrariar o desemprego jovem de longa duração são outras duas propostas que a OIT faz neste relatório.
 
 
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