Por que a COP 15 de Copenhagen fracassou?
Ao final do evento que reuniu mais de uma centena de Chefes de Estado e seus ministros, produziu-se nada mais que algumas melancólicas linhas de um texto vazio que pouco ou nada significam. Por Rubens Hering *

Rubens Hering *
Ao final do evento que reuniu mais de uma centena de Chefes de Estado e seus ministros, produziu-se nada mais que algumas melancólicas linhas de um  texto vazio que pouco ou nada significam. O acordo de Kyoto finda em 2012 e em Copenhagen nada se produziu para prolongá-lo ou o substituir por algo mais avançado. O caos, a poluição e a devastação ambiental avançam e as ações saneadoras retrocedem pela contramão, agravando-se o problema mundial.  No final de 2010 o México deverá sediar nova conferência do clima. Merkel, a primeira ministra alemã,  talvez a potência ocidental mais verde, pressionada por uma cidadania mais ecológica, já chamou uma conferência preparatória para a cidade de Bonn, em meados de 2010.  Se o fracasso de Copenhagen não for remediado a curtíssimo prazo, o nosso planeta febril e gravemente doente estará enfrentando o seu mal,  exatamente como um paciente em UTI, quando os médicos lhe dizem: nada mais nos é dado a fazer. Foi isso que lá vimos. Não podemos permitir que o planeta saia da UTI para o necrotério, por incompetência desses curandeiros políticos que lá fracassaram. É preciso salvar a Mãe Terra. Copenhagen não foi uma conferência de clima, mas de negócios.  Países ricos tentando pagar a conta que devem do passado poluidor comprando o direito de mais poluir no futuro e pagando o mínimo possível com uma moeda podre que apelidam de Crédito de Carbono. É o grande capital comprando o direito de poluir sem a responsabilidade de diminuir a poluição. De outro lado, os países pobres de chapéu na mão para captar esmolas em troca da preservação. Os emergentes querendo assegurar o direito de, em breve, serem iguais aos ricos. O que lá se tentou fazer foi puro “business”.  Há décadas sou ecologista e me preocupo com essa questão. No âmbito da vida privada procuramos manter padrões ecológicos de comportamento. Como empresário ou executivo sempre me empenhei para  que a responsabilidade social de minha instituição estivesse focada também na questão ambiental. Procuro fazer minha parte.  Aliás, como todos deveriam fazer. Mas, só isso não basta mais. Separar lixo é importante, mas, não salvará o mundo. A nível planetário o equilíbrio já foi rompido. O Planeta não suportará 10 bilhões de pessoas, e da questão demográfica nem sequer se falou em Copenhagen. Embora a solução ainda passe por comportamentos individuais e ações locais, temos de reconhecer que o receituário da Agenda 21 da conferência Rio/92 está defasado, exatamente por que foi pouco ou nada seguido no Brasil e mundo afora.  Ainda podemos ter esperanças?  É a pergunta que todos fazemos. Sim, respondo com minha mais firme convicção. Há esperanças e o mundo não vai acabar amanhã. Mas, pode melhorar ou piorar muito na exata proporção do que for feito agora pela humanidade. Qual é o caminho então?  Quem decidirá essas questões sempre serão políticos com mandato eletivo.  As pessoas certas estavam lá.  Mas, eles jamais farão o que lhes recomendar a comunidade científica internacional ou os ecologistas de plantão.  Sempre farão o que lhes for  eleitoralmente mais proveitoso no âmbito interno de seus países.  Portanto, só há um caminho. É transformar a questão ambiental, definitivamente, na agenda eleitoral prioritária, ao lado da educação e no mesmo patamar desta. Há décadas os verdes dizem isso e não lhes são dados ouvidos,  obtendo resultados eleitorais que vão do pífio ao modesto. É tempo de mudar isso. As bancadas nos parlamentos, não importando se de países, estados ou cidades,  têm de ser mais verdes e comprometidas com a agenda sócio-ambiental do autêntico Desenvolvimento Sustentável. Quem tem de determinar isso é a sociedade e os eleitores. Quando isso começar a acontecer a partir do voto popular, no Brasil e mundo afora, aí sim teremos conferências de clima a favor da vida e não mais de negócios.  “Nada é mais forte do que uma idéia cujo tempo chegou – Victor Hugo”. É  chegado  o tempo  de sermos menos materialistas e mais humanistas  verdes.  Este ano teremos eleições...

 * Rubens Hering – Economista. 
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