Sindicato dos Engenheiros do Paraná destaca luta pelo Pré Sal
Em matérias do último informativo da categoria, Senge destacou importância da campanha "O Petróleo tem que ser nosso".

O Instiuto Reage Brasil, reproduz aqui duas matérias realizadas com Fernando Siqueira, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás, publicadas no jornal O Engenheiro, do Sindicatos dos Engenheiros do Paraná (SENGE). O Instituto Reage Brasil e o Sindicatos dos Engenheiros do Paraná realizaram, no primeiro semestre de 2009, diversas palestras em Curitiba para conscientizar estudantes e a população sobre a importância da defesa do Pré Sal. Também reproduzimos o editorial de O Engenheiro, como símbolo do engajamento de uma categoria importante nesta luta.    

As lições da história

E chegamos ao número 100 do jornal do Senge-PR. Ao longo dessas 100 edições, e particularmente nos últimos números de O Engenheiro, este Sindicato cumpre a missão de levar a mais de dez mil leitores informações e análises que estão fora do cardápio da grande mídia brasileira.

Há 15 anos, por exemplo, o número 24, que circulou em maio e junho de 1994, alertava para o risco das privatizações iniciadas por Fernando Collor e ampliadas por Fernando Henrique Cardoso. Intitulada "14 razões para não acreditar no Programa Nacional de Desestatização", a matéria explicava, por exemplo, como o País perdeu com a forma de pagamento — com títulos podres — e com o baixo preço de venda de empresas como a Ultrafértil e a Copesul. "Por que privatizar o que está dando certo?", questionava em artigo o físico Luiz Pinguelli Rosa, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A matéria trazia trecho de artigo — que hoje pode ser vista como profético — do empresário paulista Ricardo Semler para a Folha de S. Paulo. "A Renault ganha dinheiro há alguns anos, desde que foi estatizada. A General Motors anunciou o maior prejuízo da história do capitalismo: US$ 2,2 bilhões." Uma década e meia depois, sabemos o desfecho dessa história. A Ultrafértil, que pertencia à Petrobras, hoje pertence à norte-americana Bunge. O preço dos fertilizantes disparou, tornou-se um problema sério pra a agricultura brasileira. A oferta de fertilizantes não aumentou — ao contrário, o País segue dependente de adubos importados, especialmente potássio e fósforo. Há alguns meses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elegeu os fertilizantes como uma questão de Estado, e espera acabar com a dependência dos importados em dez anos.

Ou seja — a privatização só agravou um problema, e obriga o Estado a agir para resolvê-los. O caso da GM, citada por Semler, é idêntico: falida, a montadora que já foi a maior empresa do mundo foi estatizada pelo governo dos Estados Unidos.

Neste emblemático número 100, trazemos à tona outro assunto que vem sendo tratado pela mídia brasileira com lamentável parcialidade — o destino das reservas de petróleo no pré-sal. Para isso, fomos ouvir o Fernando Siqueira, da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet). Siqueira é, há alguns anos, um estudioso do assunto, e viaja pelo Brasil fazendo um alerta: se o governo federal não mudar a Lei do Petróleo, o povo brasileiro não irá ganhar nada com a exploração das fantásticas reservas que a natureza colocou sob o mar territorial brasileiro.

O diagnóstico do nosso colega é impiedoso. "O Brasil teve duas chances de ser um dos países mais ricos do mundo. A primeira foi perdida quando Portugal levou nosso ouro para a Inglaterra. O pré-sal é a segunda, e última, chance para sairmos da vergonhosa posição de termos 50 milhões de miseráveis." Ou seja — esse país tem diante de si uma chance histórica, que não pode de forma alguma desperdiçar. E esse país somos nós. É preciso que todos nos informemos e nos façamos ouvidos nesse momento. Pois, como explicam Fernando Siqueira e a advogada Clair da Flora Martins, do Instituto Reage Brasil, os interesses em jogo são muitos.

O Senge-PR está engajado nessa luta, ao lado de entidades como o Crea-PR. Lançamos a campanha "O petróleo tem que ser nosso", e estamos debatendo o assunto em universidades, sindicatos, escolas, associações. É preciso espalhar as razões pelas quais é preciso mudarmos as regras de exploração do petróleo brasileiro. Pois a grande mídia, como quase sempre, tem seu partido nessa história — e, também como costuma acontecer, não é o lado da corda em que está a maioria dos brasileiros.

Que lutas vitoriosas, como a que impediu a privatização da Copel, nos sirvam de inspiração nesse momento. Mãos à obra. Vamos fazer com que nossas vozes sejam ouvidas: o petroleo tem que ser dos brasileiros. O destino das reservas do pré-sal está, também, nas nossas mãos. Não podemos nos omitir. Pois não queremos, daqui a 15 anos, olhar para esta edição de O Engenheiro e vermos que nosso alerta foi insuficiente para mudar o rumo das coisas. Até porque, como explica Clair, em seu artigo, daqui a 15 anos pode nem mesmo haver uma gota de óleo no pré-sal, se não disciplinarmos a exploração das reservas.

Venha conosco nessa luta. Porque amanhã pode ser tarde demais.

Valter Fanini - Presidente do SENGE.

 

 Brasileiros precisam ir às ruas lutar por posse do pré-sal, afirma engenheiro

Fernando Siqueira defende mobilização da sociedade brasileira para garantir que petróleo gere riquezas para o País

A sociedade brasileira precisa se unir pra pressionar o governo federal e garantir que o petróleo do pré-sal seja realmente brasileiro, afirma o presidente da Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira. "Minha expectativa é fazer a população brasileira ir às ruas e pressionar o governo a retomar o petróleo para o Brasil. Com esse objetivo, tenho feito palestras por todo o País", explica.

Ainda que à margem dos holofotes da grande mídia brasileira, a campanha avança, explica Siqueira. "No Rio Grande do Sul, fiz palestra na seção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em que estava presente diretor da Associação de Juízes e Desembargadores (Ajuris). Ele se impressionou com os dados que mostrei sobre a fantástica riqueza do pré-sal, que supera 10 trilhões de dólares em patrimônio, e me levou novamente ao estado, onde fiz outro debate com 300 pessoas e 30 entidades", afirma.

"Disso surgiu um comitê que reúne a Ajuris e a Assembleia Legislativa gaúcha. Hoje, eles viajam pelo Brasil, e já fizeram um congresso com outros poderes legislativos estaduais conclamando a criação de comitês semelhantes. No Paraná, há comitê em formação, comandado pelo Senge-PR, pelo Crea-PR e pelo Instituto Reage, Brasil", diz Siqueira. "Entidades e movimentos como o Congresso Nacional dos Petroleiro, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e sindicatos de trabalhadores formaram um comitê nacional sob o slogan ‘o Petróleo tem que ser Nosso’", enumera.

Há mais mobilização pela frente. "Tenho palestra marcada no Clube Militar, onde começou a campanha ‘O Petróleo é Nosso’, nos anos 1950. Foi o maior movimento cívico da história do País. A partir dela, surgiu a lei que garantiu por 44 anos que a exploração do nosso petróleo era exclusiva da Petrobras", lembra Siqueira, referindo-se à lei baixada sob Getúlio Vargas, em 1953.

"Agora que descobrimos reservas de petróleo acima de todas as expectativas, temos muito mais razões para fazer um movimento de alcance nacional e recuperarmos a propriedade de toda essa riqueza", argumenta. "Defendemos o retorno da lei do petróleo de 1953, que durante 44 anos permitiu o crescimento da Petrobras, o desenvolvimento da tecnologia pra extração em águas profundas, a descoberta do pré-sal", diz.

Os argumentos que embasam a luta são irrefutáveis, definitivos. "O Brasil teve duas chances de ser um dos países mais ricos do mundo. A primeira foi perdida quando Portugal levou nosso ouro para a Inglaterra. O pré-sal é a segunda, e última, chance para sairmos da vergonhosa posição de termos 50 milhões de miseráveis."

 

Fernando Siqueira defende mobilização da sociedade brasileira para garantir que petróleo gere riquezas para o País

A sociedade brasileira precisa se unir pra pressionar o governo federal e garantir que o petróleo do pré-sal seja realmente brasileiro, afirma o presidente da Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira. "Minha expectativa é fazer a população brasileira ir às ruas e pressionar o governo a retomar o petróleo para o Brasil. Com esse objetivo, tenho feito palestras por todo o País", explica.

Ainda que à margem dos holofotes da grande mídia brasileira, a campanha avança, explica Siqueira. "No Rio Grande do Sul, fiz palestra na seção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em que estava presente diretor da Associação de Juízes e Desembargadores (Ajuris). Ele se impressionou com os dados que mostrei sobre a fantástica riqueza do pré-sal, que supera 10 trilhões de dólares em patrimônio, e me levou novamente ao estado, onde fiz outro debate com 300 pessoas e 30 entidades", afirma.

"Disso surgiu um comitê que reúne a Ajuris e a Assembleia Legislativa gaúcha. Hoje, eles viajam pelo Brasil, e já fizeram um congresso com outros poderes legislativos estaduais conclamando a criação de comitês semelhantes. No Paraná, há comitê em formação, comandado pelo Senge-PR, pelo Crea-PR e pelo Instituto Reage, Brasil", diz Siqueira. "Entidades e movimentos como o Congresso Nacional dos Petroleiro, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e sindicatos de trabalhadores formaram um comitê nacional sob o slogan ‘o Petróleo tem que ser Nosso’", enumera.

Há mais mobilização pela frente. "Tenho palestra marcada no Clube Militar, onde começou a campanha ‘O Petróleo é Nosso’, nos anos 1950. Foi o maior movimento cívico da história do País. A partir dela, surgiu a lei que garantiu por 44 anos que a exploração do nosso petróleo era exclusiva da Petrobras", lembra Siqueira, referindo-se à lei baixada sob Getúlio Vargas, em 1953.

"Agora que descobrimos reservas de petróleo acima de todas as expectativas, temos muito mais razões para fazer um movimento de alcance nacional e recuperarmos a propriedade de toda essa riqueza", argumenta. "Defendemos o retorno da lei do petróleo de 1953, que durante 44 anos permitiu o crescimento da Petrobras, o desenvolvimento da tecnologia pra extração em águas profundas, a descoberta do pré-sal", diz.

Os argumentos que embasam a luta são irrefutáveis, definitivos. "O Brasil teve duas chances de ser um dos países mais ricos do mundo. A primeira foi perdida quando Portugal levou nosso ouro para a Inglaterra. O pré-sal é a segunda, e última, chance para sairmos da vergonhosa posição de termos 50 milhões de miseráveis."

 

 
 
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