WikiLeaks revela rede de espionagem a serviço dos EUA
 
Londres – Segunda-feira (27), WikiLeaks começou a publicar os Arquivos de Inteligência Globais – mais de cinco milhões de e-mails da empresa de “inteligência global” Stratfor, sediada no Texas. Os e-mails datam entre julho de 2004 e dezembro de 2011. Eles revelam o funcionamento interno de uma empresa que se apresenta como uma publicação de inteligência, mas que fornece serviços confidenciais de inteligência para grandes corporações como Bhopal’s Dow Chemical Co., Lockheed Martin, Northrop Grumman, Raytheon e agências de governo, incluindo o Departamento de Segurança Interna dos EUA, os fuzileiros navais e a Agência de Inteligência de Defesa dos EUA. Fonte: Caros Amigos e Diário Liberdade. Foto: Ativista lança novo livro.
 
Demissão após vazamento Há um e-mail, supostamente enviado e vazado neste domingo (26), republicado em Pastebin por um usuário anônimo, em que George Friedman escreve ao vice-presidente de Inteligência de Stratfor, Fred Burton, renunciando ao cargo de diretor executivo (CEO) da empresa de inteligência e espionagem privada Stratfor. Os e-mails mostram uma teia de informantes de Stratfor, estrutura de pagamento, técnicas de lavagem de pagamentos e métodos psicológicos, como por exemplo: “Você precisa ter controle sobre ele. Controle significa controle financeiro, sexual ou psicológico... Isto é pretendido para começar nossa conversação na próxima fase” – CEO George Friedman para a analista de Stratfor, Reva Bhalla, no dia 6 de dezembro de 2011, sobre como explorar um informante de inteligência israelense para prover informações sobre as condições médicas do Presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Informações Privilegiadas O material contém informações privilegiadas sobre os ataques do governo dos Estados Unidos contra Julian Assange e WikiLeaks e as próprias tentativas de Stratfor para subverter WikiLeaks. Há mais de 4.000 e-mails mencionando WikiLeaks e Julian Assange. Os e-mails também expõem a porta giratória que opera nos serviços de inteligência privados dos Estados Unidos. Fontes governamentais e diplomáticas ao redor do mundo fornecem a Stratfor conhecimento avançado de políticas e eventos globais em troca de dinheiro. Os Arquivos de Inteligência Global expõem como Stratfor recrutaram uma rede global de informantes que são pagos através de contas em bancos suíços e cartões de crédito pré-pagos. Stratfor tem uma mistura de informantes visíveis e clandestinos, que incluem empregados do governo, pessoal de embaixadas e jornalistas ao redor do mundo. O material mostra como agências de inteligência privadas trabalham e como elas miram indivíduos para seus clientes governamentais e corporativos. Por exemplo, Stratfor monitorou e analisou as atividades online de ativistas de Bhopal, incluindo o “Yes Men”, para a gigante química dos Estados Unidos, Dow Chemnical. Os ativistas buscam reparações para o desastre de gás ocorrido em 1984, provocado pela Dow Chemical/Union Carbide, na Índia. O desastre levou milhares à morte, provocou danos em mais de meio milhão de pessoas, e danos ambientais permanentes. Suborno arriscado Stratfor tem percebido que seu uso rotineiro de subornos secretos em dinheiro para conseguir informações de informantes é arriscado. Em agosto de 2011, o CEO de Stratfor, George Friedman, confidencialmente disse aos seus empregados: “Nós estamos mantendo um escritório de advocacia para criar uma política para o Ato de Práticas Corruptas Externas para Stratfor. Eu não planejo uma caminhada maldita e não quero ninguém aqui fazendo isto também.” O uso de informantes por Stratfor tão logo tornou-se um esquema de fazer dinheiro com legalidade questionável. Os e-mails mostram que em 2009, o então diretor de Goldman Sachs, Shea Morenz e o CEO de Stratfor, George Friedman, alavancaram a ideia de “utilizar a inteligência” da rede de informantes para iniciar uma captação estratégica para um fundo de investimento. CEO George Friedman explicou em um documento confidencial de agosto de 2011, marcado como NÃO COMPARTILHA OU DISCUTA: “O que StratCap irá fazer é usar nossa inteligência e análises de Stratfor para comercializar em um âmbito de instrumentos geopolíticos, particularmente em bônus de governos, moedas e semelhantes”. Os e-mails mostram que em 2011, Morenz, membro de Goldman Sachs, investiu “substancialmente” mais de $ 4 milhões de dólares e ingressou na mesa de diretores de Stratfor. Disfarce Em 2011, uma complexa estrutura de compartilhamento offshore se estendendo até a África do Sul foi erigida, desenhada para fazer StratCap parecer ser legalmente independente. Mas, confidencialmente, Friedman disse ao pessoal de Stratfor: “Não pense sobre Stratcap como uma organização de fora. Ela será integrada... Isto será útil para você se, por questão de conveniência, pensar sobre isto como outro aspecto de Stratfor e Shea como outro executivo em Stratfor... nós já estamos trabalhando para simular portfólios e comércios”. StratCap deve ser lançada em 2012. Os e-mails de Stratfor revelam que a empresa cultiva proximidades com as agências do governo dos EUA e emprega pessoal do governo dos EUA. Está em preparação o Projeto de 3 anos para o Comandante do Corpo dos Fuzileiros dos EUA, e serão treinados fuzileiros dos EUA e “outras agências governamentais de inteligência” para “se tornarem Stratfor de governos”. O vice-presidente para a Inteligência de Stratfor, Fred Burton, foi a princípio um agente especial do Departamento de Estado para o Serviço de Segurança e foi seu Chefe Adjunto na divisão de contraterrorismo. Apesar dos laços governamentais, Stratfor e empresas semelhantes operam em segredo completo sem nenhuma supervisão política ou prestação de contas. Stratfor reivindica que opera “sem ideologia, agenda ou viés nacional”, apesar dos e-mails revelarem que o pessoal de inteligência que se alinham próximos às políticas de governo dos EUA e enviam dicas para o Mossad – incluindo por uma mula de informações no jornal israelense Haaretz, Yossi Melman, que conspirou com o jornalista de The Guardian, David Leigh, para, secretamente, e em violação do contrato de WikiLeaks com The Guardian, mover os cabos diplomáticos dos Estados Unidos obtidos por WikiLeaks para Israel. Trem da Alegria Ironicamente, considerando as circunstâncias presentes, Stratfor tentou conseguir o que foi chamado como o “trem da alegria”, isto é, o vazamento em foco que surgiu após as divulgações de WikiLeaks sobre o Afeganistão: “[É] possível para nós conseguirmos aquele trem da alegria do 'vazamento em foco'? Isso é uma venda de medo óbvia, então isto é bom. E nós temos algo a oferecer às empresas de segurança que as de Tecnologia de Informação não tem, principalmente nosso foco em contrainteligência e sobrevivência que Fred e Stick sabem melhor que qualquer um no planeta... Podemos desenvolver algumas ideias e procedimentos na ideia da rede de segurança de 'vazamento com foco' que focará em prevenir algum empregado próprio de vazar informações sensíveis... De fato, não estou tão certo que isso seja um problema de TI que requira uma solução de TI.” Conexões Como ocorreu com os cabos diplomáticos publicados por WikiLeaks, muito da significância dos e-mails de Stratfor serão revelados nas próximas semanas, através de nossa coalizão, a busca pública e a descoberta de conexões. Os leitores encontrarão que, ao passo que um grande número de assinantes e clientes de Stratfor trabalham para os militares dos Estados Unidos e as agências de segurança, Stratfor também prestou uma assessoria complementar ao controverso general do Paquistão, Hamid Gul, cabeça do serviço de inteligência ISI do Paquistão, quem, de acordo com cabos diplomáticos dos Estados Unidos, planejou um ataque com explosivos improvisados contra as forças internacionais no Afeganistão em 2006. Os leitores irão descobrir o sistema de classificação interna de e-mails de Stratfor, que codifica as correspondências de acordo com categorias como 'alpha', 'tática' e 'segura'. As correspondências também contém nomes em código para pessoas de particular interesse, tais como os 'Izzies' (membros do Hezbollah), ou o 'Adogg' (Mahmoud Ahmadinejad). Stratfor tornou secreto os negócios com dezenas de organizações midiáticas e jornalistas – da Reuters ao Kiev Post. A lista dos “Parceiros de Confederação” de Stratfor, cujo o próprio Stratfor se refere internamente como “Confed Fuck House” estão incluídos nesta publicação. Enquanto é aceitável para jornalistas trocar informações ou serem pagos por outras organizações midiáticas, por Stratfor ser uma organização de inteligência privada que presta serviços a governos e clientes privados, essas relações são corruptas ou corruptíveis. Informantes WikiLeaks também obteve uma lista de informantes de Stratfor e, em muitos casos, gravações de seus pagamentos, incluindo $ 1.200 pagos mensalmente para o informante “Geronimo”, manuseado pelo agente do Departamento de Estado de Stratfor, Fred Burton. WikiLeaks construiu uma parceria investigativa com mais de 25 organizações midiáticas e ativistas para informar o público sobre esse grande corpo de documentos. As organizações obtiveram acesso a um sofisticado banco de dados investigativo desenvolvido por WikiLeaks e, junto ao WikiLeaks, estão conduzindo avaliações jornalísticas desses e-mails. Revelações importantes descobertas usando esse sistema irão aparecer na mídia nas próximas semanas, junto à publicação gradual dos documentos originais.
 
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