Venezuela: candidato derrotado apoia-se em Washington
 
A vaga de violência dos protestos incitados por Henrique Capriles, o candidato da direita venezuelana novamente derrotado nas urnas, provocou 8 mortos e 70 feridos. A Casa Branca apoia as pretensões de Capriles e não reconhece o governo de Maduro. Paulo Portas foi dos primeiros a felicitar o presidente eleito da Venezuela. Fonte: esquerda.net
 
Nicolás Maduro venceu Henrique Capriles com mais de 270 mil votos de vantagem nas eleições do passado domingo, mas o candidato da direita não aceitou a sua segunda derrota consecutiva nas presidenciais venezuelanas e incitou a população a revoltar-se contra o governo. Na sequência desse apelo, grupos armados incendiaram centros de saúde e mataram oito pessoas, deixando um rasto de destruição e dezenas de feridos. E foi apenas esta quarta-feira que a candidatura de Capriles apresentou à comissão eleitoral um pedido de recontagem de votos, apesar de Maduro ter sido o primeiro a fazê-lo logo na noite eleitoral. O sistema eleitoral da Venezuela já prevê uma auditoria cidadã no próprio dia das eleições. E ela foi feita, embora boa parte da imprensa venezuelana e internacional prefira não dar notícia desse acontecimento. Assim, logo após encerrada a votação e conhecida a contagem - o voto faz-se através de máquinas - os membros das mesas de voto de todas as candidaturas voltaram a juntar-se e qualquer cidadão pôde assistir à auditoria. O processo consiste em abrir metade das máquinas de voto em cada secção e conferir se o registo dos votos em papel coincide com o resultado anunciado pela máquina. Tal como nas eleições anteriores, os resultados desta auditoria que abrangeu 54% dos eleitores confirmaram os resultados anunciados. Para o antigo presidente da Guatemala, presente como observador internacional, o sistema de votação venezuelano "se não é o melhor da América Latina, anda lá perto". Alvaro Colóm diz que não viu nenhuma prova das supostas irregularidades denunciadas pelo candidato derrotado. "Calhou-me uma das urnas sujeitas a auditoria. Abriram a urna e contaram os votos à frente de testemunhas (…) Estive em nove mesas e não encontrei nenhuma dessas provas", diz Colóm, defendendo que "nenhuma nação tem o direito de se imiscuir nos assuntos internos dos venezuelanos". Kerry e Maduro trocam acusações sobre fiabilidade dos sistemas eleitorais As palavras do ex-presidente da Guatemala têm como destinatário a Casa Branca, que insiste em não reconhecer a vitória de Maduro. John Kerry, responsável pela política externa norte-americana, defendeu uma recontagem dos votos e provavelmente o reconhecimento pelos EUA da vitória do sucessor de Hugo Chávez ficará adiado, o que já provocou uma resposta de Nicolas Maduro. "Dizem que não nos vão reconhecer… Pois que não reconheçam, não nos importa o seu reconhecimento. Decidimos ser livres e vamos continuar a ser livres e independentes com vocês ou sem vocês", afirmou o presidente eleito. Maduro lembrou ainda que "em nenhum país do mundo se fazem auditorias [eleitorais] como na Venezuela" e comparou-as ao "medieval" sistema eleitoral norte-americano. "Nos Estados Unidos as auditorias são proibidas, não se fazem em nenhuma mesa", afirmou Maduro, recordando também a vitória de Bush por 1%, quando "o Supremo Tribunal de Justiça deu aval a esses resultados, num sistema eleitoral medieval, e ele governou oito anos". Apesar da ausência do reconhecimento do novo presidente venezuelano pelos EUA, Maduro recebeu as felicitações dos países membros do Mercosur, que também participaram no ato eleitoral como observadores. Foi o caso do Governo brasileiro, argentino e colombiano, entre outros. Os 120 Estados do Movimento de Países Não Alinhados também saudaram a vitória de Maduro e a participação massiva nas presidenciais venezuelanas, apelando ao fim de todos os atos violentos realizados nos dias seguintes à eleição. Eurodeputado do PSD/Madeira escandalizado com inaugurações nas vésperas da eleição O governo português, através do ministro Paulo Portas, foi dos primeiros a felicitar Nicolas Maduro pela sua vitória eleitoral, logo após a proclamação dos resultados. Dos portugueses que integraram a missão de observadores internacionais, o único que pôs em causa o resultado foi Nuno Teixeira, do PSD/Madeira, que se fez fotografar ao lado de Capriles no dia de reflexão junto com a delegação do Partido Popular Europeu, convidada pelo candidato derrotado. Nuno Teixeira queixou-se das inaugurações realizadas em período de campanha eleitoral e no próprio dia de reflexão, uma situação que, segundo o eurodeputado escolhido por Alberto João Jardim, "envergonharia qualquer europeu".
 
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