Seminário Nacional: A corrupção e o Sistema da Dívida - A divulgação massiva da corrupção no varejo, como o chamado Petrolão, é utilizada como “boi de piranha” pela grande mídia como cortina de fumaça para o maior escândalo do país
 
O “sistema da Dívida” é, na verdade, composto por uma série de fatores que tem por objetivo saquear e drenar os recursos brasileiros de forma fraudulentamente “institucionalizada”, conseguindo já abocanhar 45% do Orçamento Federal exclusivamente para o setor financeiro.
 
“Seminário Nacional: A corrupção e o Sistema da Dívida” “A corrupção no varejo é utilizada como cortina de fumaça para encobrir o maior Escândalo do País” Cortina da Fumaça – Realizado dias 30 e 31, em São Paulo, o “Seminário Nacional: A Corrupção e o Sistema da Dívida”. Com participantes de vários núcleos de Auditoria Cidadã da Dívida que estão se formando em vários estados brasileiros, o seminário contou também com grande número de representantes do Núcleo paranaense, diversos sindicatos e representantes de entidades que patrocinaram o evento através de trabalho voluntário. Invisível aos olhos da grande imprensa e dos principais partidos de situação e oposição, PT e PSDB, o “sistema da Dívida” é, na verdade, composto por uma série de fatores que tem por objetivo saquear e drenar os recursos brasileiros de forma fraudulentamente “institucionalizada”, conseguindo já abocanhar 45% do Orçamento Federal exclusivamente para o setor financeiro. A grave situação é definida pela frase de um dos palestrantes, professor Francisco Inácio, na abertura do evento: “A divulgação massiva da corrupção no varejo, como o chamado Petrolão, é utilizada como “boi de piranha” pela grande mídia como cortina de fumaça para o maior escândalo do país”. A denúncia é corroborada pelo Deputado Federal Ivan Valente, um dos palestrantes da última mesa do Seminário, que participa da CPI da Lava Jato: “Estamos falando no caso da Lava Jato de um escândalo de no mínimo sete a oito bilhões. Valor enorme para o País, cujos responsáveis devem ser julgados. Mas no caso do escândalo da Dívida, falamos de 1,3 trilhão por ano, e o tema permanece invisível”. Não é Dívida porque não tem nenhuma contrapartida social – Maria Lucia Fattorelli, auditora aposentada da Receita Federal e Coordenadora Nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, enfatiza que o sistema da dívida é um instrumento de transferência de recursos públicos para o setor privado, sem qualquer contrapartida social: “Não é uma Dívida para realizarmos obras e melhorar a vida da população. É um esquema para realizar justamente ao contrário: enriquecer uns poucos com o sacrifício de todo o povo brasileiro”. A pesquisadora também salientou o mecanismo ilusório utilizado pelos grandes formadores de opinião para ludibriar a opinião pública brasileira: “ Nosso país não pode emitir moeda porque afirma-se num discurso único que isto gera inflação , mas emitirmos títulos com os juros mais altos do mundo, não traz prejuízo ao país? Traz, porque gera uma enorme dívida que trava completamente a economia. Como se explica no Brasil, os juros mais altos do mundo, a não ser como instrumento da sangria do dinheiro público por rentistas e banqueiros?”, argumenta. Exemplo da Dívida Pública de São Paulo: eivada de irregularidades que estão sendo pagas pelos contribuintes – Carmen Célia, coordenadora do Núcleo da Auditoria Cidadã da Dívida do núcleo da São Paulo destacou uma nota publicada pelo Jornal Folha de São Paulo em 15 de setembro de 2015, onde a FENABRAN posicionou-se de acordo com o ajuste fiscal do governo federal pois isto revelaria o “compromisso do governo com as dívidas públicas”. Célia rebateu a nota, afirmando que não é compromisso do governo com as dívidas públicas, mas o compromisso do governo com meia dúzia de agiotas, banqueiros nacionais e estrangeiros que estão saqueando o país: “É um escândalo! É uma vergonha”. A coordenadora trouxe os números da Dívida de São Paulo para exemplificar como funciona o sistema de corrupção da Dívida com suas variantes estaduais: “Em 1998, a Dívida paulista remontava R$ 46,5 bi. Por um pacto de negociação, o Governo Federal passou a ser o agiota do governo paulista. Pagando Religiosamente 13% renda liquida exigida por este pacto, chegamos em dezembro de 2014 com um saldo devedor de 200 bilhões. Como é que pode isso?”. Célia ressaltou também que este saldo devedor absurdo ainda existe mesmo com a entrega de praticamente todas as estatais paulistas como ELETROPAULO, CESP, FEPASA, CEAGESP e Banespa: “ Ficamos com uma Dívida sobre a qual pairam indícios gritantes de irregularidades cometidas pelos governos e ainda entregamos o Banespa para o Santander praticamente de graça”, exemplifica. A representante do Núcleo de São Paulo foi enérgica quanto às intenções da Auditoria da Dívida: “Não somos caloteiros. Estamos querendo que o Estado pague, mas pague somente o que devemos, e não o que se deve através de mecanismos de corrupção que encampam valores fraudulentos à Dívida” Os Europeus não tem acesso aos números da Dívida - A portuguesa Raquel Varella, do International Institute of Social History, denunciou os artifícios contábeis para esconder da população portuguesa e europeia os verdadeiros números da Dívida Pública: “Os cidadãos europeus não tem acesso aos números da Dívida porque eles são mascarados em outras contas”, declarou. Varella criticou os mecanismos utilizados pelos governos para minimizar as consequências das brutais transferências de recursos financeiros do público para o privado, através da total financeirização da economia: “Um trabalhador da Alemanha num fábrica da Áustria pode ser contratado por seis meses e, depois de despedido, o governo arca com mais seis meses com o custo de seu salário. Ainda, na Alemanha, 17% da população depende de algum modo de uma bolsa de auxílio financeiro do estado. Mas estes recursos não vem das empresas, vem dos próprios recursos dos fundos dos trabalhadores, ou seja, os trabalhadores arcam com sua própria demissão e não os responsáveis pela crise, que são os rentistas”, revela. A pesquisador afirma que a economia real não pode mais se dar ao luxo de ficar remunerando rentistas ao invés de construir hospitais. Para Varella “não é coisa séria dizer ao povo português e mundial que se vai aumentar o trabalho, e implantar o estado do bem estar social, se não houver Auditoria da Dívida dos países”. E reiterou os mecanismos de falta de transparência nos números das dívidas utilizada pelo governo português: “Sabemos quanto é gasto em um Hospital Público, mas se o hospital financia hospitais privados, isto entra em outra conta. Os cidadãos europeus não tem acesso aos números da Dívida porque eles são mascarados em outras contas, e a Alemanha é mestre nisso”. Como resultado das medidas de austeridade, a historiadora recorda que “ existem 1,5 milhão e meia de casas vazias em Portugal, mas os Fundos imobiliários estão isentos de impostos”. Núcleo de Comunicação da Auditoria Cidadã da Dívida Paranaense
 
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